ABC SmartTalks |Edição Educação

No dia 28 de maio aconteceu a quinta edição do ABC SmartTalks com o tema “adaptação do setor de Educação ao ambiente digital e o impacto para os negócios educacionais em meio à Covid-19”.

Os palestrantes convidados foram:

  • Daniel Infante – Sócio-fundador da Educa Insights
  • Aldemir Drummond – Vice-presidente executivo da Fundação Dom Cabral
  • Sara Pedrini – Vice-presidente acadêmica do grupo Laureate
  • Daniel Pedrino – Presidente da Faculdade Descomplica

Veja o webinar na íntegra clicando aqui (link para o YouTube https://www.youtube.com/watch?v=4TFtD3H58Qc&feature=youtu.be ) ou confira alguns pontos da conversa abaixo:

ABC: Como vocês avaliam os impactos da Covid-19 na Educação?

Educa: Numa perspectiva de demanda, seja aquela que está estudando ou que tem intenção de começar um curso de graduação, a intenção não mudou. A oferta vai precisar se adequar para atender a essa demanda de perfil novo. A grande resposta para saber quem vai continuar estudando tem a ver com a capacidade das instituições de se adaptarem rapidamente ao momento, entendendo que esse público é diferente daquele de um passado recente.

Descomplica: O aluno tem que enfrentar basicamente três barreiras. É preciso ter a conectividade e o hardware para ter acesso à educação. Temos que lembrar que esse ainda é um grande gap no Brasil. O segundo é adaptabilidade. O aluno que tradicionalmente foi ao ensino presencial e agora é jogado para um ambiente novo que ele não queria e não escolheu está tendo que lidar com isso. A terceira é a crise econômica. Esses três fatores conjugados farão com que o acesso ao ensino digital possa ser mais ou menos veloz.

ABC: Quais os principais desafios e como estão as finanças dos alunos?

FDC: O primeiro é a incerteza quanto à duração. Há dois meses que estamos nessa situação e continuamos na incerteza. Ninguém sabe dizer quando as atividades educacionais vão ser retomadas e como elas vão retomar e com qual disponibilidade as pessoas irão comparecer. Claro que transformamos nossas atividades em online, sejam aulas gravadas ou transmitidas. Em algumas atividades cerca de um terço das pessoas aderiram. Nos programas de especialização temos cerca de 3 mil alunos. Mil aderiram à fase online e cerca de dois mil resolveram segurar, até pela modalidade, são cursos de fim de semana. Um outro desafio é neste caso a falta de experiência das pessoas, tanto de alunos quanto de professores em trabalhar com atividades à distância. Quanto a questão dos pagamentos, sim, a gente teve pedidos. Não foram maciços. Basicamente o que temos feito até então é uma atuação um a um.

Laureate: Flexibilização é para nós a palavra chave de todo esse processo de mudanças que tivemos que enfrentar com a pandemia. O fato de já trabalharmos com o ensino digital, de já termos os nossos cursos online há bastante tempo, assim como uma plataforma robusta para suportar essa virada, foi decisivo. As nossas aulas continuaram sendo ministradas pelos seus professores. São aulas ao vivo, com uma interação grande entre estudantes e professores, e o nosso aluno presencial é um aluno que demanda essa interação. Então mesmo que a aula fosse online, a interação com os colegas e com os docentes tem sido a tônica até agora. Em pouquíssimo tempo 100% do nosso corpo docente, de quase 5 mil professores, foram qualificados com as ferramentas necessárias para atuar de forma online. Quando falamos da prática profissional, nós temos uma limitação legal, que precisa ser respeitada, assim como a necessidade de que isso seja feito presencialmente. Então nossa dúvida agora é de quando conseguiremos retomar as atividades práticas e presenciais. Com relação às necessidades financeiras, nós criamos o Estamos Juntos, que é um programa de parcelamento das mensalidades nesse período de pandemia.

ABC: Como vocês enxergam os custos do ensino superior?

Laureate: Nós já tínhamos recursos [digitais] muito bons, e fizemos investimentos para melhorá-los. Mantivemos nossos professores. O aluno tem aula com o mesmo professor da aula presencial. Então, na verdade, tivemos custos adicionais para dar conta das necessidades que nós tivemos. Mas eu entendo que quando a gente pensa no futuro nós precisamos sim trazer a tecnologia como uma aliada e pensar quais são os aspectos que podem ser otimizados.

Educa: Temos que lembrar que no momento pré-crise, há uma demanda disponível para o ensino superior de 60 milhões de brasileiros. Pelo menos metade deles, podia investir até R$ 450 na mensalidade. Isso no pós-FIES, quando a gente já tinha uma inflação na base de alunos pelo FIES, programa que depois acabou retraindo pelo momento econômico não tão favorável. E a gente tinha um perfil de demanda “pobre” no Brasil. A crise acelera esse movimento naturalmente. Eu tenho um volume maior de quem pode investir até R$ 450. A primeira reação da oferta é o movimento de retração de preço de uma instituição que é essencialmente presencial, para tentar endereçar uma demanda que não podia pagar aquele preço do auge do FIES, de época melhores em termos de economia. No momento pré-crise, a tecnologia no ensino pelo veículo de ensino a distância, o EAD, ela já existia. No pós-crise, isso vai continuar acontecendo. É por meio da construção de produtos que hoje não existem no modelo conservador de ensino superior, os híbridos, que há chance de conseguirmos ser mais eficientes em custo. Deve haver dedicação na construção de um modelo acadêmico que consiga equacionar os dois principais custos da oferta hoje: campus e professor.

ABC: Como a demanda por educação executiva reagiu?

FDC: Nós trabalhos com cursos de curta duração, longa e atividades dentro de empresas. Os impactos foram muito diferentes. Boa parte das atividades que já estavam em curso continuaram. A gente tem um curso específico com médias empresas, um parceria grande com um pouco mais de 500 empresas em quase 20 estados da federação. Mas como são atividades com grupos menores elas continuaram muito bem [no meio digital], inclusive em termos de eficiência as pessoas falaram: “Se antigamente eu ia uma vez por mês na empresa e passava um dia, agora vou toda semana e passo duas horas”. 

ABC: Qual a visão de vocês sobre o adiamento do ENEM?

Descomplica: A gente acredita que o adiamento da prova é fundamental para que a gente consiga diminuir um pouco esse gap de exclusão social. Para o nosso negócio que é totalmente digital, a gente só viu aumento de receita. Nosso papel social também foi colocar uma força tarefa para ampliar o Descomplica para escolas, em muitos casos sem cobrar nada. A gente fez uma parceria com as maiores operadoras de telefonia do Brasil para que também a gente possa dar a conexão para o aluno, pois minha principal barreira de crescimento hoje não é o aluno, minha principal barreira é ter conexão para esse aluno poder estudar

ABC: E a questão de propriedade intelectual?

Laureate: No nosso caso, fizemos um adendo ao contrato de trabalho, com 97% de adesão, dizendo que por um período determinado, inclusive por sugestão dos professores, eles cederiam às nossas instituições e apenas à instituição ao qual ele está vinculado o direito de imagem, voz e conteúdo.

Educa: Um ponto importante nesse processo de migração é trazer a visão do pequeno operador, que sofreu uma série de derivadas em relação à crise e que lá para frente acelera um processo de consolidação do setor que é bem relevante.

Nos primeiros 15 a 20 dias, um terço do mercado foi capaz de migrar para o online. Após um mês, que foi a última leitura que a gente teve, cerca de 80% do mercado fez a migração.

ABC: Como vocês enxergam o futuro da educação?

FDC: Depende muito do tipo de curso. Não vejo que tudo seria 100% digital. Na educação executiva a troca de experiência é muito relevante. Muito do aprendizado vem também dos colegas. Não que não seja possível interagir no ambiente digital, mas acho que o contato pessoal é importante. Então eu vejo muito mais como uma atividade híbrida.

ABC: Como vocês veem o processo de consolidação do setor?

Educa: Acredito numa aceleração da consolidação. O M&A já estava aquecido há pelo menos um semestre e meio. Tem o cluster que se movimenta em função da medicina, que é uma variável importante e vai continuar sendo pós-Covid. E havia um movimento natural de consolidação do setor, na medida em que havia uma melhora econômica sendo sinalizada. 

ABC: Como a visão de futuro de vocês mudou?

Descomplica: Acredito que o papel das startups é de provocar uma mudança de comportamento social. Podemos dar exemplos em transporte, habitação, bancos. Nosso papel é auxiliar nessa movimentação de comportamento de pessoas que vão começar a procurar o ensino à distância como primeira opção, e não por ser mais barato, confiando que isso vai realmente ser mais efetivo para a carreira dele.

FDC: A gente vive do que a gente gera e isso tem afetado as nossas atividades. Mas não é por que no curto prazo você tem um aperto que você vai deixar de investir no que você acha que é importante no médio e longo prazo.

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