circuit breaker

Circuit breaker: entenda o que é e como afeta as negociações na Bolsa

No final de fevereiro de 2020, a pandemia do novo coronavírus fez as bolsas de valores do mundo inteiro caírem. No Brasil, um mecanismo da bolsa causou pânico entre os investidores: o circuit breaker. O que ele realmente significa?

De maneira bastante simples, esse é um mecanismo utilizado para interromper quedas bruscas na bolsa. Uma proteção à volatilidade excessiva nas cotações dos ativos financeiros no mercado. Por isso, ajuda a acalmar os ânimos do investidores, apesar de não ter o efeito de reduzir as incertezas do mercado.

Diante desse cenário, fica o questionamento: para que serve o circuit breaker e por que ele é acionado? Vamos explicar melhor, neste artigo. Continue lendo!

Afinal, o que é circuit breaker?

Esse mecanismo é usado para interromper as negociações na bolsa de valores brasileira, a B3. Ele é adotado quando há quedas bruscas no preço das ações. Assim, a paralisação tende a reduzir a volatilidade excessiva do mercado financeiro.

Com a interrupção, a expectativa sempre é de amenização das quedas. Na prática, a redução continua ocorrendo, mas ela busca racionalizar o ritmo. Assim, os investidores são incentivados a rebalancear as ordens de compra e venda.

Para cumprir sua função, o mecanismo é adotado quando o Ibovespa — índice da B3 — cai 10%. Nesse momento, o pregão (sessão de transações de compra e venda das ações negociadas na bolsa) fica 30 minutos paralisado para acalmar o mercado. Depois disso, volta a funcionar.

No mesmo dia, caso o Ibovespa chegue a uma queda total de 15%, uma nova interrupção é feita. Dessa vez, por uma hora. O propósito é o mesmo. O pregão reabre e, caso reduza mais 5 pontos porcentuais, que somam 20% negativos, a suspensão dos negócios é feita por período indeterminado, de acordo com a B3.

Quando a situação chega a esse terceiro extremo, é emitido um comunicado pela Agência de Notícias (ABO — Operações). Perceba, portanto, que a ferramenta pode ser comparada a uma camada extra de segurança. No período de interrupção, é possível fazer um novo planejamento e evitar a queda desordenada no preço dos ativos.

O que leva o circuit breaker a ser acionado?

Na B3, o mecanismo é acionado sempre que o limite de baixa chega a 10%, se comparado ao dia anterior. Depois, podem haver mais duas interrupções: se atingidos 15% e 20% de baixa, nesse último caso, suspendendo as negociações do pregão, conforme já apresentado.

Assim, o gatilho que aciona a ferramenta sempre é uma queda brusca, que pode ser motivada por fatores variados. Entre eles, estão:

  • crise na saúde, por exemplo, a pandemia da Covid-19, o novo coronavírus;
  • aspectos políticos, como a delação de Joesley Batista, da JBS;
  • critérios econômicos, como a redução da cotação do petróleo devido ao aumento da produção e das exportações, adotada pela Arábia Saudita.

Os três níveis do circuit breaker — 10%, 15% e 20% — valem apenas para a B3, já que outras bolsas de valores adotam patamares diferentes. Além disso, existe um detalhe em relação às regras adotadas.

Elas são ignoradas na última meia hora de funcionamento do pregão. No caso da B3, as negociações hoje ocorrem até as 17h, em média, com after market até as 18h.

Regras do circuit breaker

Para entender como a interrupção da bolsa de valores funciona, é preciso conhecer as regras adotadas. Você já viu que existem três patamares. Aqui, vamos explicá-los de forma mais detalhada.

Antes disso, é preciso saber que eles se referem a um único pregão. Ou seja, mesmo que em um dia a bolsa de valores sofra um circuit breaker, tudo é retomado do zero no dia seguinte. Existem apenas duas exceções:

  • as regras não são aplicáveis nos 30 minutos finais do pregão da B3;
  • o circuit breaker ocorrido na última hora do pregão gera a possibilidade de fazer uma nova interrupção das negociações no dia seguinte, logo na reabertura do mercado. Nesse caso, a paralisação é de 30 minutos.

Agora que você captou esses detalhes, veja o que carateriza cada uma das três alternativas de suspensão das negociações na B3.

Queda de 10%

Nos casos em que o Ibovespa sofrer uma redução de 10%, o primeiro mecanismo de proteção é acionado. A diminuição sempre é embasada no valor do fechamento do pregão do dia anterior.

Por exemplo, o Ibovespa fechou em 100.000 pontos. No pregão seguinte, ele chegou a 90.000 pontos. Assim, o circuit breaker é acionado. As negociações são interrompidas por 30 minutos.

Nesse momento, os investidores e os analistas verificam os detalhes e repensam suas estratégias. Por isso, a tendência é que os ânimos se equilibrem e o Ibovespa volte ao seu ritmo normal, ainda que ocorram novas quedas. Isso porque fica mais fácil encontrar alternativas.

Queda de 15%

Após a primeira interrupção, as negociações são retomadas, e novas reduções do Ibovespa podem acontecer. Se o patamar equivaler a uma diminuição total de 15%, ocorre uma nova suspensão das negociações.

É preciso reforçar que esse percentual de queda deve ser acumulado. Portanto, voltando ao exemplo anterior, o Ibovespa chegaria a 85.000 pontos. Nesse momento, há uma nova interrupção. Dessa vez, ela é mais demorada, dura uma hora. Novamente, o objetivo é arrefecer os ânimos e acalmar o mercado.

Queda de 20%

Com a nova retomada das negociações, os investidores devem se acalmar. Porém, se a queda acumulada for igual ou maior do que 20%, a B3 fecha o mercado. Assim, um novo prazo para reabertura é definido.

Portanto, não existe um padrão. Com base no exemplo anterior, o terceiro circuit breaker aconteceria quando o Ibovespa chegasse a 80.000 pontos.

Diferença entre circuit breaker e leilão de ações

Para entender esses conceitos, é preciso saber que o circuit breaker consiste em interromper todas as operações da bolsa. Isso significa que ninguém pode adquirir ou comercializar ações individuais ou ETFs, que também são chamados de fundos de índice.

No caso do leilão de ações, é seguida uma regra específica. Ele também funciona com o objetivo de proteger o investidor em períodos de alta volatilidade. A duração é de cinco minutos, e pode chegar a mais cinco. Seu acionamento automático ocorre nos seguintes casos:

  • queda ou alta de mais de 10% no preço da ação em relação ao dia anterior;
  • redução ou elevação superior a 10%, quando comparado ao preço de abertura;
  • oscilação entre 10% e 19,99% no valor sobre o último preço conferido antes de o papel entrar em leilão.

A diferença do leilão é que as operações não são suspensas. Nesse caso, a bolsa continua registrando as ofertas. No entanto, sua efetivação acontece quando os preços de compra e venda se encaixam. Desse modo, o descontrole dos valores é evitado, e uma formação melhor é assegurada.

Circuit breaker no Brasil: qual é seu histórico?

circuit breaker

A bolsa de valores brasileira já registrou alguns circuit breakers durante sua história. Eles ocorreram em seis anos diferentes. Veja quais foram esses períodos e o que ocasionou o acionamento do mecanismo.

1997

Uma crise financeira significativa abalou diversos mercados, como os da Malásia, da Tailândia, da Coreia do Sul e das Filipinas. Em outubro daquele ano, a bolsa de valores de Hong Kong teve uma queda de 10,4%, o que gerou a baixa de outros pregões do mundo.

No Brasil, o efeito foi sentido, e foram realizados três circuit breakers. Eles foram acionados nos dias 27 de outubro, além de 7 e 12 de novembro.

1998

A crise financeira da Rússia gerou apreensão no mercado. O país havia declarado que não conseguiria pagar suas dívidas internas e externas. Com isso, várias economias do mundo sofreram impactos.

A bolsa brasileira teve perdas de 30 bilhões de dólares. Por isso, cinco interrupções foram acionadas. Elas aconteceram em 21 de agosto e nos dias 4, 10 e 17 de setembro. No dia 10, inclusive, foram feitas duas paralisações (baixa de 10%, seguida de uma redução de 15%).

1999

A desvalorização do real obrigou o Banco Central a negociar dólares no mercado futuro para evitar quedas maiores. Ainda assim, foi necessário aplicar o mecanismo de interrupção nos dias 13 e 14 de janeiro.

2008

O período de uma das maiores instabilidades econômicas da história foi gerado pela crise imobiliária dos Estados Unidos. Com isso, as dívidas naquele país deixaram de ser pagas, o que levou a falências e colapso na economia mundial.

No Brasil, os efeitos foram sentidos, e houve o acionamento de seis circuit breakers. Eles aconteceram nos dias 29 de setembro e em 6, 10, 15 e 22 de outubro. No primeiro dia de outubro, a interrupção foi realizada duas vezes.

2017

A delação de Joesley Batista, dono da JBS, gerou consequências no mercado brasileiro. A crise política levou a impactos financeiros na bolsa. No dia que ficou conhecido como Joesley Day, o Ibovespa ultrapassou os 10% de queda, o que gerou a paralisação das atividades.

2020

pandemia do novo coronavírus causou colapso na economia mundial, que já tinha expectativa de crescimento baixo em 2020. As previsões eram de uma alta de 2,9%, mas a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a projeção para 2,4%.

Um dos motivos para as oscilações do mercado foi a produção industrial dos países, que diminuiu de forma significativa devido ao contágio do vírus. Com isso, a B3 acionou o circuit breaker cinco vezes, na segunda semana de março de 2020.

As interrupções ocorreram nos dias 9 e 11 de março, quando o Ibovespa caiu mais de 10%. No dia 12, a baixa ultrapassou 10% novamente, houve a paralisação, e uma nova queda, que chegou a 15%, o que gerou a segunda interrupção do dia.

No dia 16 de março de 2020, a B3 abriu às 10h e, às 10h30 já havia sido identificada uma redução no Ibovespa de 12,53%, o que levou ao quinto circuit breaker de março. Novas paralisações ainda podem acontecer, já que tudo depende da economia e dos impactos da política.

Pode ocorrer outro circuit breaker na B3?

Sim. Tudo depende do cenário político e, especialmente, econômico. As regras permanecem e podem acontecer a qualquer momento. Afinal, a economia anda em ciclos, e situações imprevistas, como a crise sanitária do coronavírus, podem surgir.

Porém, vale a pena lembrar que essas paralisações só acontecem em situações extremas, que fogem do normal. Além disso, elas costumam ser repentinas, isto é, inesperadas. Isso faz com que o mercado não saiba como reagir e os investidores seguem o efeito manada.

Como agir

Para os mais experientes, os circuit breakers representam oportunidade. Isso porque a queda do preço dos ativos favorece a compra a valores baixos. Assim que o mercado se recuperar, haverá um lucro significativo.

Mais do que isso, os investidores experientes sabem que, mesmo em momentos de baixa, algumas ações podem apresentar bons resultados. Assim, o mercado pode manter sua estabilidade, desde que os ativos continuem sendo negociados.

Portanto, tudo depende do comportamento dos investidores. Quanto mais calma eles tiverem, menor será a volatilidade do mercado. Ainda assim, as situações de instabilidade devem ser encaradas com tranquilidade, porque há possibilidade de recuperação, ainda que no médio ou longo prazo.

Vale a pena efetivar uma estratégia de investimento de longo prazo. Além disso, nunca se deve vender as ações no desespero gerado pela interrupção das negociações na bolsa. O recomendado é aguardar a recuperação do mercado e, se possível, comprar mais ativos para vendê-los no futuro.

Outra indicação é optar pela diversificação da carteira de investimentos. Como os ativos da renda fixa tendem a ser menos impactados pelos circuit breakers, são boas alternativas para manter os ganhos.

É importante frisar que eles não sofrem os efeitos diretos, mas acabam sendo afetados de forma indireta. Afinal, a economia está interligada, e a renda fixa também tem certa volatilidade devido à marcação a mercado.

Porém, o que causa esses impactos? Dois dos principais fatores são as taxas de juros e a inflação. Eles afetam os preços dos títulos. Além do mais, muitas empresas tendem a procurar crédito no mercado para financiar suas operações.

Portanto, o risco para a renda fixa aumenta. Ainda assim, ela é mais segura do que a renda variável. Por isso, é a recomendação dos especialistas. Para quem tem perfil de investimento conservador, o ideal é investir 100% da carteira nos ativos mais seguros.

Por sua vez, quem tem perfis moderado e arrojado devem aumentar a participação da renda fixa em suas carteiras. Assim, é possível mitigar as perdas momentâneas.

Dessa forma, você consegue equilibrar a sua carteira, mesmo aproveitando o período de baixa para comprar algumas ações com preço reduzido. No médio e no longo prazo, isso se refletirá em rentabilidade.

Portanto, é importante ter em mente que o circuit breaker é um mecanismo de proteção. Por isso, ele ajuda a acalmar o mercado e os investidores para evitar perdas ainda maiores. No entanto, tudo depende do comportamento dos players e do que você vai fazer. Afinal, mais do que uma situação de crise, esses períodos também representam oportunidades.

O que achou de entender mais sobre essa ferramenta de proteção do mercado? Compartilhe este texto nas suas redes sociais e mostre para outras pessoas o que é o circuit breaker.

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.