Radar da Economia: Perspectiva do PIB 2022 cresce e deve ficar entre 0,3% e 0,6%

Os primeiros dias de março terminaram com perspectivas para a atividade econômica doméstica. Na semana finalizada no dia 4, as Contas Nacionais Trimestrais foram publicadas.

Isso nos trouxe dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Ao mesmo tempo, essas informações nos permitiram analisar o cenário atual e as expectativas para o futuro com relação à economia brasileira. É o que vamos abordar neste Radar da Economia.

Resultado do PIB 2021

O PIB brasileiro registrou alta de 0,5% na margem no 4.º trimestre de 2021. O resultado ficou 0,4% acima do esperado. Além disso, apresentou um crescimento após dois trimestres seguidos de discreta retração.

Pensando em 2022, o carregamento estatístico do PIB do 4.º trimestre de 2021 veio positivo em 0,3%. Ou seja, houve uma melhoria na margem. Ainda é importante destacar que os indicadores antecedentes do 1.º trimestre de 2022 apontam para nova expansão da economia no trimestre. O índice deve ficar em 0,2%.

Nesse período, deverá haver uma alta adicional nas atividades de serviços, manufatura e produção agrícola. Dessa forma, entendemos que a nossa projeção atual de PIB flat em 2022 (0%) tende a ser revisada para o intervalo entre 0,3% e 0,6%.

Esse viés será calibrado com mais precisão após as pesquisas mensais de atividades do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas próximas semanas. Também é acentuado pela postura fiscal mais expansionista esperada para 2022.

Dados consolidados

O resultado de 0,5% na margem no 4.º trimestre de 2021 foi registrado após ajuste sazonal. Mesmo que discreta, essa taxa registrou um crescimento superior ao consenso de mercado e à nossa projeção. Ambas eram de 0,1%.

Ainda veio após dois trimestres consecutivos de variações ligeiramente negativas, de -0,1% e -0,3% no 3.º trimestre e no 2.º trimestre de 2021, respectivamente.

Isso rompeu com o ambiente de recessão técnica observado até então. Isso porque o termo se refere ao país com dois trimestres seguidos de recuo no PIB.

Dessa forma, o PIB do Brasil encerrou 2021 com alta de 4,6% e se recuperou da contração de 3,9% vista em 2020, reflexo da pandemia. Na comparação com o período pré-COVID — ou seja, no 4.º trimestre de 2019 —, o nível de atividade econômica já se mostra 0,5% superior.

Quanto ao PIB per capita, o resultado alcançou R$ 40.688 em 2021. Esse dado apresentou alta de 3,9% em relação a 2020, mas se situou 1% aquém do patamar anterior à pandemia. Veja mais no gráfico a seguir.

Destaques

A surpresa observada no 4.º trimestre de 2021 nos permite destacar, na ótica da oferta, o desempenho de:

  • atividades de serviços, com 0,5% na margem versus 0,3% projetado e 1,1% no 3.º trimestre de 2021;
  • PIB agrícola, com 5,8% versus 5,1%, recompondo parte da retração de 8%, perdida no 3.º trimestre de 2021.

Já o PIB industrial cedeu -1,2% no 4º trimestre de 2021, alinhado ao esperado. Além disso, o dado veio após uma estabilidade (0%) no trimestre anterior.

Assim como vimos nas pesquisas mensais do IBGE ao longo do trimestre, a mudança no padrão de gastos das famílias após a reabertura, com maior consumo de serviços frente a bens industriais, também ficou evidente nas Contas Nacionais Trimestrais do 4.º trimestre de 2021.

A boa performance de alguns setores no PIB do trimestre refletiu a normalização da economia no período devido ao progresso vacinal. Os melhores desempenhos foram relativos a:

  • serviços de informação/comunicação, com alta de 3,4%;
  • transportes, com 2,6%;
  • demais, com 2,1%.

Inclusive, detectamos espaço para avanços adicionais no PIB de serviços na primeira metade de 2022. Isso porque existe um hiato de atividade em comparação com o nível pré-COVID, especialmente nos serviços prestados às famílias. Trouxemos essas informações no Radar da Economia “Resultado do IBC-Br altera projeções para o PIB oficial”.

Quanto à retração da indústria no 4.º trimestre de 2021, o resultado foi influenciado pelos segmentos de transformação (-2,5%), ressaltando o shift de consumo citado além de gargalos setoriais, e extrativa (-2,4%).

Por sua vez, a indústria da construção cresceu 1,5% na margem. Por fim, a alta de 5,8% no PIB agrícola contou com dinâmicas positivas nas safras de trigo, fumo e laranja. No agregado, ainda não compensa a forte queda de 8% do setor no 3.º trimestre de 2021, especialmente concentrada em grãos devido à seca no Sul do país.

Aqui, também há algum espaço para normalização adiante, no 1.º trimestre de 2022, em especial. Ou seja, a expectativa é de taxas positivas de PIB agrícola. Entenda melhor nos gráficos.

Outra visão

Os gastos das famílias e do governo com o agregado de investimentos foram os principais destaques positivos no PIB do 4.º trimestre de 2021 na ótica da demanda. As variações trimestrais foram de 0,7%, 0,8% e 0,4%, respectivamente, ante projeções de -0,2%, 0,1% e -1%.

Os gastos mostraram variações acima de suas respectivas tendências anuais. Ao mesmo tempo, a formação bruta de capital exibiu dinâmica inversa. Esses movimentos são igualmente explicados pela lógica da reabertura e normalização da economia — vide a educação pública presencial, por exemplo.

Perspectivas para 2022

Nesse quesito, o carregamento estatístico do PIB do 4.º trimestre de 2021 veio positivo em 0,3%. No início do ano, com os dados da época, o mesmo efeito era estimado em -0,5%. Portanto, uma evidente melhora na margem.

Além disso, os indicadores antecedentes referentes ao 1.º trimestre de 2022 apontam para nova expansão do PIB no período. A projeção preliminar sinaliza alta de 0,2%. Ainda deve ter um crescimento adicional nas atividades de:

  • serviços, alinhado ao gap citado acima;
  • manufatura, com o carry da indústria já apontando para 1,9% no 1.º trimestre de 2022;
  • produção agrícola.

Dessa forma, entendemos que a nossa projeção atual de PIB estável (0%) em 2022 tende a ser revisada para o intervalo entre 0,3% e 0,6%. Esse viés será calibrado com mais precisão após as pesquisas mensais de atividade do IBGE a serem divulgadas nas próximas semanas.

Veja todos os dados consolidados de 2021 e as perspectivas dos indicadores econômicos:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 10,06% em 2021, 5,7% em 2022 e 3,5% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 17,78% em 2021, 11% em 2022 e 5% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,57 em 2021, R$ 5,57 em 2022 e R$ 5,29 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 9,25% em 2021, 12,25% em 2022 e 7,5% em 2023;
  • PIB: 1,2% em 2019, -3,9% em 2020, 4,6% em 2021, 0,3% em 2022 e 1,5% em 2023.

Além disso, o cenário é acentuado pela postura fiscal mais expansionista esperada para 2022. Os governos subnacionais têm adotado medidas para aumentar os seus gastos antes das restrições eleitorais, por exemplo, pelos reajustes de salários do funcionalismo.

Por sua vez, o governo federal tem promovido desonerações tributárias. Além disso, visa a iniciativas que busquem compensar a perda de poder aquisitivo das famílias de baixa renda devido ao encarecimento dos combustíveis.

A resultante disso é um PIB melhor em 2022, ainda que mantenha a tendência de desaceleração frente a 2021, que terminou em 4,6%. Esse movimento é basicamente explicado pela postura monetária restritiva.

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