Radar da Economia: IGP-M e IPCA-15 trazem perspectivas para o resto de 2021

Na última semana de fevereiro de 2021, foram divulgados dois indicadores macroeconômicos importantes para a avaliação do cenário inflacionário. O primeiro foi o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial. O segundo, o IGP-M.

Ambos se referem ao mês de fevereiro e apresentaram alta, mas seus resultados mostram diferenças relevantes. O IPCA-15 teve um crescimento de 0,48%. O índice ficou levemente abaixo das expectativas de mercado, que eram de 0,5%, de acordo com o Broadcast.

Por sua vez, o IGP-M apresentou, novamente, uma taxa bastante pressionada. Chegou a 2,53%, o que representa mais uma superação da mediana das estimativas, que estava em 2,43%. Outro ponto a destacar é que o IGP-M avançou 2,58% em janeiro. Com isso, o acumulado nos dois primeiros meses de 2021 já ultrapassa 5%.

Diante desse cenário, neste Radar da Economia, discutimos alguns pontos relevantes que afetam a evolução da inflação e as implicações para nosso balanço de riscos. Da mesma forma, avaliaremos os impactos à reação do Banco Central, em termos de condução da política monetária.

IGP-M

O principal vetor de pressão no IGP-M continua sendo o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). Esse indicador teve alta de 3,28% em fevereiro. No mês imediatamente anterior, havia ficado em 3,38%.

Esse componente é o que tem mais peso na cesta do IGP-M, representando 60% do total. Para a categoria de preços ao consumidor (IPC), o peso é de 30%. Enquanto isso, o segmento de custos da construção civil (INCC) tem atribuição de 10%. Desses 3 grupos, vale a pena destacar a discrepância nas variações acumuladas nos últimos 12 meses:

  • IPA: 40,1%;
  • IPC: 4,8%;
  • INCC: 10,2%.

No atacado, um fato que chama a atenção é a aceleração dos preços dos insumos agrícolas fundamentais para o cultivo. Um exemplo é a alta de 15,8% em adubos ou fertilizantes. Dentre os fatores que explicam esse movimento estão:

  • restrições de oferta no mercado doméstico, que ocorre pela antecipação das compras por produtores rurais no final de 2020;
  • aumento dos preços no mercado internacional, devido à demanda global mais elevada por commodities agrícolas;
  • depreciação do real perante os níveis de dezembro de 2020, que ajuda a sustentar as pressões de custos ao produtor.

Ainda é preciso reforçar a colheita da safra 2020/2021 de soja no Brasil. Ela segue atrasada e atinge 15,1% da área estimada até 19 de fevereiro, segundo informações da consultoria Datagro. Essa é uma taxa muito abaixo da verificada no mesmo período de 2020, quando foi registrado um alcance de 31,4%.

O resultado também é menor do que a média dos últimos 5 anos, que ficou em 28,4%. Esse problema ocorre por questões climáticas, que atrasaram o plantio. Outro fator foi o avanço lento da colheita devido às chuvas em regiões produtoras.

Todas essas razões se refletem nos preços firmes da soja e pressionam a cadeia de proteínas, já que o farelo de soja é utilizado para a ração dos animais. A elevação do dólar também atua como vetor de alta nos valores domésticos e pode contrabalançar pressões baixistas devido ao aumento de oferta em conjunto com o avanço da colheita.

Pelo lado da inflação ao consumidor, o retorno do auxílio emergencial pode possibilitar mais repasses de alta de custos do atacado para o varejo. Com isso, há o alívio das margens comprimidas de players do mercado, como os frigoríficos. A ameaça da volta dos focos de pressão em preços de alimentos segue relevante em nosso balanço de riscos.

IPCA

As perspectivas de retomada do crescimento da economia global têm afetado a dinâmica das cotações do petróleo no mercado internacional. Com a depreciação cambial, isso tem gerado uma alta expressiva dos combustíveis na refinaria desde meados do segundo semestre de 2020. O movimento pode ser observado no gráfico a seguir.

No caso dos combustíveis para o consumidor — ou seja, na bomba —, a evolução dos preços é apresentada a seguir. É preciso destacar que a série tem uma quebra devido ao período que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) levou para contratar uma nova empresa para fazer a coleta.

Vale ressaltar que os preços atuais do diesel superam a média na semana anterior à greve dos caminhoneiros de maio de 2018. O movimento começou no dia 21 de maio, uma segunda-feira, e terminou oficialmente no dia 30 do mesmo mês. Nesse período, houve atuação das Forças Armadas e da Polícia Rodoviária Federal para eliminar pontos de concentração de motoristas nas estradas.

Na nossa avaliação, os combustíveis serão destaque de alta nas próximas leituras do IPCA. Para o mês de fevereiro, a gasolina deve apresentar avanço superior a 4% e ser o subitem com maior contribuição de alta no índice cheio.

Devido ao novo conjunto de informações, além de riscos de pressões mais persistentes em bens industriais, revisamos nossa expectativa de IPCA em 2021. O índice deve ir de 3,7% para 3,8%. Veja os outros índices:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 3,8% em 2021, 3,5% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,10 em 2021, R$ 5 em 2022 e R$ 4,90 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 4,25% em 2021, 5% em 2022 e 5,75% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, – 4,4% em 2020, 3,5% em 2021, 3% em 2022 e 3% em 2023.

Com o quadro menos favorável em termos de inflação, como está se configurando, esperamos que o Banco Central inicie o ciclo de normalização da política monetária em março. A alta deverá ser de 50 bps da taxa Selic, indo para 2,5%.

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