Radar da Economia: Reuniões do Copom e aumento da Selic

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) da primeira semana de maio se mostrou alinhada à discussão feita no Radar da Economia “Decisão do Copom: como deve ficar a Selic?”. O órgão elevou a taxa Selic em 75 pontos-base (bps), o que a fez chegar a 3,5%.

Além disso, o Comitê sinalizou que dará prosseguimento à “normalização parcial” da política monetária na próxima reunião, programada para 16 de junho. Assim, haverá um novo ajuste “da mesma magnitude”.

Por outro lado, não houve um compromisso tão firme da autoridade monetária com ambas as sinalizações futuras. Afinal, o Copom enfatizou que os próximos passos poderão ser ajustados a depender da conjuntura. O foco continua sendo o cumprimento da meta inflacionária para 2022.

A partir de agora, trazemos as novas perspectivas para a Selic e as decisões do Copom neste Radar da Economia. Assim, é possível ter uma ideia de como ficará a economia brasileira. Acompanhe!

Perspectivas para a reunião de junho

A mensagem do Copom de que as próximas decisões dependerão do cenário que se apresentar tem sido igualmente enfatizada por diferentes membros da autoridade. Isso foi feito por meio de discursos recentes.

Esse cenário aumenta os graus de liberdade nas próximas decisões do colegiado. Dessa forma, a comunicação oficial manteve a linha hawkish e acentuou a continuidade do ciclo de alta.

Com isso, reafirmamos a nossa expectativa de dois ajustes adicionais de 75 bps nas reuniões de junho e de agosto. Assim, a taxa básica de juros encerra 2021 em 5%. Se essa trajetória for confirmada, avaliamos que algum estímulo monetário tende a ser preservado ao longo do atual processo de recuperação econômica.

Essa medida ainda é vista como apropriada pelo próprio Banco Central (BC), pelo menos neste momento. Como consequência, a leitura do BC a respeito do caráter temporário dos choques inflacionários atuais se manteve.

Da mesma forma, o alerta de que o Copom segue atento à sua evolução, especialmente em relação aos preços de commodities agrícolas e industriais. Outro destaque são os custos da energia elétrica, representados pelas bandeiras tarifárias.

Esses itens devem continuar pressionando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no curto prazo, conforme citamos no Radar da Economia já mencionado. Em relação às medidas de núcleo, elas se apresentam agora no topo da banda inflacionária.

Em outras palavras, elas se tornaram incompatíveis com essa banda. O resultado é a desaceleração na margem, com continuação em nível elevado. Aliás, nossos números apontam para discreta redução da velocidade da média trimestral dos núcleos inflacionários. O índice passou para 5% em abril.

Análise da Selic

O caráter transitório desses choques de preços será posto à prova na segunda metade de 2021, em nossa visão. Esperamos que ocorra uma relevante desaceleração do IPCA em 12 meses. O mesmo processo deve ocorrer com os núcleos anualizados, mas com alguma defasagem.

Uma vez observados esses movimentos, com reflexo favorável sobre as expectativas inflacionárias, avaliamos que o BC tende a pausar o ajuste de juros em agosto. A postura deverá ser a de “esperar para ver”. Assim, os próximos passos serão definidos em um espaço de tempo mais alongado.

Projeções para o IPCA

Quanto à projeção do BC para o IPCA 2022, encontra-se agora em 3,4%. Esse índice está abaixo do simulado em março — o que nos surpreendeu. Também é menor do que o centro da meta, que é de 3,5% em ambos os casos.

O cenário básico pressupõe que a taxa Selic encerre 2021 em 5,5% e termine 2022 em 6,25%. Por sua vez, o câmbio parte de R$ 5,40 e evolui conforme a paridade do poder de compra.

A projeção para a inflação de administrados em 2022 subiu de 4,4% para 5%. Assim, a expectativa para o mesmo indicador relativo aos preços livres — que são mais sensíveis ao ritmo da economia — diminuiu de 3,2% para 3%.

Isso parece sugerir que o aumento da taxa de juros para 5,5% ao final desse ciclo é exagerado por conta do alcance simétrico da meta inflacionária, o que confirma nosso call.

Por fim, o IPCA projetado para 2021 subiu de 5% para 5,1%, mesmo contando com menor pressão de administrados, que passou de 9,5% para 8,4%. O balanço de riscos em torno desses números oficiais segue inalterado e mostra assimetria altista, que é um reflexo da incerteza fiscal.

Atividade doméstica

Nesse quesito, o BC ainda considera que os dados recentes mostram evolução mais positiva do que o esperado. Isso foi atestado pelas vendas varejistas em abril e divulgadas no dia 7 de maio.

Contudo, a incerteza sobre o ritmo da retomada econômica permanece acima do usual e deve retornar à normalidade aos poucos. Nesse sentido, a autoridade monetária ressaltou que, “sem prejuízo de seu objetivo fundamental de estabilização de preços”, cumpre sua meta secundária, estabelecida na lei de autonomia do BC: minimizar as flutuações na atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

Em suma, ainda que o statement do Copom da primeira semana de maio tenha suscitado diferentes interpretações entre os agentes do mercado, avaliamos que a comunicação oficial manteve a linha hawkish. Com isso, a continuidade do ciclo de alta foi acentuada.

Além do mais, reafirmamos nossa expectativa de dois ajustes adicionais de 75 bps nas reuniões de junho e de agosto, com a taxa básica de juros encerrando 2021 em 5%. Veja outros indicadores econômicos:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 4,9% em 2021, 3,7% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,30 em 2021, R$ 5,25 em 2022 e R$ 5,10 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 5% em 2021, 5,75% em 2022 e 6% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, – 4,1% em 2020, 3,5% em 2021, 3% em 2022 e 3% em 2023.

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