Radar da Economia: Indicadores de março/21 mostram melhora da economia

O desempenho dos indicadores de atividade econômica de março de 2021 surpreendeu. Todos os grandes setores — comércio, serviços e indústria — registraram quedas no mês devido aos efeitos adversos da segunda onda da pandemia de coronavírus. Ainda assim, sua performance no primeiro trimestre foi até animadora.

Tanto a produção industrial quanto as vendas varejistas mostraram reduções mais modestas do que o antevisto, de 0,4% e 3,9%, respectivamente. Ao mesmo tempo, a receita real das atividades de serviços registrou expansão de 2,8%. Esse resultado foi obtido mesmo com o maior isolamento social observado no mês analisado.

Como consequência, o PIB (Produto Interno Bruto) mensal (IBC-Br) encerrou o primeiro trimestre de 2021 com crescimento de 2,3%. Ele ainda deixou o carregamento estatístico de 5,5% para o ano e de – 0,5% para o segundo trimestre de 2021.

Considerando a metodologia das Contas Nacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), esse bom desempenho nos induziu a ajustar a nossa projeção para o PIB oficial do primeiro trimestre. Ela passou de 0,3% para 0,8% na margem. Com isso, o crescimento anual fica mais próximo de 4,3%, em vez de 3,5%, conforme anteriormente.

Diante desse cenário, neste Radar da Economia, trazemos nossa leitura a respeito do quadro atual da atividade doméstica. Também apresentamos nossas projeções atualizadas para os principais dados de atividade no curto prazo. Saiba mais!

IBC-Br

O IBC-Br mostrou recuo de apenas 1,6% na margem no mês de março. Esse resultado ficou acima do consenso de mercado, que era de – 3,4%, e da nossa projeção, que era de – 3,1%.

Na comparação interanual, o índice teve alta de 6,3%. Assim, ele também superou as expectativas de 6% e 6,1%, mas em menor grau. É importante destacar que o IBC-Br consolida os principais dados mensais de atividade de varejo, serviços e indústria. Eles surpreenderam positivamente em março, conforme mostram os gráficos a seguir.

As não linearidades em seu ajuste sazonal favorecem as maiores variações no mês. Além disso, o índice do BC também parece ter captado as boas dinâmicas da arrecadação real de impostos e da safra agrícola no ano, cujas proxies são mais difíceis de estimar.

Com isso, no primeiro trimestre, o IBC-Br acumulou expansão de 2,4%, vindo de 3,1% no quarto trimestre de 2020. Considerando as diferenças de metodologia (construção e ajuste sazonal), essa taxa do IBC-Br no primeiro trimestre de 2021 é compatível com uma expansão ao redor de 0,8% do PIB oficial no mesmo período.

Isso é o que aponta a nossa análise, que ficou acima da projeção que fizemos anteriormente. Ela era de 0,3%. Ao mesmo tempo, desacelerou frente ao 3,2% visto no quarto trimestre de 2020. Veja nos gráficos.

Expectativas

Os dados antecedentes em alta frequência para o segundo trimestre trazem viés de alta para esse número, ainda que nossa expectativa para o PIB seja levemente negativa, de – 0,6% na comparação trimestral. Nossas projeções preliminares para varejo, indústria e serviços já indicam alguma melhoria na margem em abril de 2021.

A flexibilização dos lockdowns regionais aumentam a mobilidade. Ainda há o pagamento do novo auxílio emergencial e o retorno operacional de linhas de produção industriais. Tudo isso aponta para algum aperfeiçoamento da atividade econômica no mês — também antecipada pelos índices de confiança.

Dessa forma, levando em conta o PIB melhorado relativo ao primeiro trimestre de 2021, revisamos nossa projeção para o PIB total de 2021. Ela passou de 3,5% para 4,3%. Caso os primeiros hard data referentes a abril venham ainda melhores na margem, essa previsão anual tende a ser ajustada para cima.

Portanto, o viés para o número do ano é de alta. Confirmado o nosso cenário-base atual, o nível do PIB superará o patamar pré-COVID no primeiro trimestre de 2022. Entenda melhor nos gráficos em seguida.

Atividades de comércio, indústria e serviços

A julgar pela resiliência da atividade no início de 2021, a economia brasileira parece ter incorporado as restrições sociais de forma eficiente ao seu funcionamento normal. Isso é perceptível mesmo com o ressurgimento da pandemia.

A melhoria dos processos, o uso intensivo da tecnologia da informação e os ganhos de produtividade no home office são elementos que ajudaram a continuar as atividades, inclusive diante dos protocolos sanitários. Esse cenário também pode ser visto em âmbito global, como sugerido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Ainda assim, nosso desempenho econômico na retomada pós-COVID continua um tanto heterogêneo. Isso porque penaliza os serviços dependentes de atividades sociais, como viagens, lazer e restaurantes. Ao mesmo tempo, favorece determinados setores da manufatura — como construção e químicos — e do comércio — por exemplo, supermercados, farmácias e materiais de construção.

Tudo isso em decorrência de mudanças de hábitos forçadas pelos lockdowns. Com a reabertura da economia e o progresso esperado da vacinação, julgamos que esse diferencial entre os setores tende a diminuir.

Inclusive, já debatemos nossas hipóteses e projeções para o Programa Nacional de Imunização no Radar da Economia “As expectativas para a vacinação e a recuperação da economia”. Esse cenário também deve ser visto globalmente.

Em termos de política monetária, a dinâmica positiva da atividade doméstica deve contribuir para o prosseguimento do ajuste de juros pelo BC (Banco Central). Um dos fatores que contribuem para isso é a continuidade das pressões altistas nas commodities agrícolas e industriais.

Por isso, nossa expectativa para a Selic é de altas adicionais de 75 bps (basis-points) em junho, 50 bps em agosto e 25 bps em setembro. Se confirmados, esses aumentos levarão a taxa básica de juros para 5% ao final desse ciclo.

O plano inicial da autoridade engloba o ajuste parcial da Selic. No entanto, ele pode ser modificado em caso de pressões adicionais, principalmente nas projeções inflacionárias de médio prazo.

A esse respeito, revisamos nossa expectativa para o IPCA em 2021. Ele passou de 4,9 para 5,4% em funções das pressões adicionais em alimentos e bens industriais. Além disso, há uma perspectiva menos favorável para o quadro hidrológico ao longo de 2021.

Isso nos fez alterar a premissa para a bandeira tarifária da energia elétrica. Ela deve passar de amarela para vermelha 1 em dezembro. Para 2022, mantivemos nossa projeção de avanço de 3,7% para o IPCA. Veja:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 5,4% em 2021, 3,7% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 15,3% em 2021, 4,4% em 2022 e 4% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,30 em 2021, R$ 5,25 em 2022 e R$ 5,10 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 5% em 2021, 5,75% em 2022 e 6% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, – 4,1% em 2020, 4,3% em 2021, 3% em 2022 e 3% em 2023.

Depois de ver todas essas informações, que tal se aprofundar? Entenda o que é o índice IBC-Br e qual a sua importância.

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