Radar da Economia: A melhoria dos resultados econômicos e as projeções para o PIB

Os indicadores de atividade econômica chamaram bastante a atenção nos primeiros dias de junho de 2021. Entre eles estão:

  • o forte ritmo da economia doméstica no primeiro trimestre do ano, com alta de 1,2%;
  • a melhoria nos índices de confiança empresarial (7,9 pontos) e de atividades de negócios (PMI) de serviços (5,4 pontos) e manufatura (1,4 pontos).

Esses resultados foram verificados mesmo depois da queda da produção industrial em abril, com recuo de 1,3%. Lidos em conjunto, esses dados se mostram compatíveis com a expansão de 5,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021.

Esse percentual é superior à nossa projeção anterior, que era de 4,3%. Vale a pena reforçar que essa já tinha viés de alta, conforme ressaltamos no Radar da Economia “Indicadores de março/21 mostram melhora da economia”.

Mesmo com a renovação do auxílio emergencial em abril, o PIB do segundo trimestre deve desacelerar. Projetamos variação nula, de acordo com o movimento da produção industrial no período. Por sua vez, a segunda metade do ano tende a exibir mais vigor, com taxas de crescimento trimestral em torno de 0,6% nos últimos seis meses do ano.

Evidentemente, isso supõe progressos contínuos na vacinação doméstica e normalização das atividades econômicas. Esses aspectos já têm sido captados, de maneira incipiente, nos dados antecedentes de confiança e de mobilidade.

Diante de todo esse cenário, este Radar da Economia discute a perspectiva ainda mais animadora para a economia brasileira em 2021, embalada pelo setor externo e impulsos monetários e fiscais. Ainda exibirá certa resiliência frente aos efeitos da segunda onda de COVID-19 no Brasil.

As contas nacionais do IBGE

O PIB do Brasil mostrou expansão trimestral de 1,2% no primeiro trimestre de 2021. O resultado ficou acima da nossa projeção, que era de 0,9%, e do consenso de mercado, que era de 0,7%. Na comparação anual, o índice ficou em 1% e também surpreendeu positivamente, já que ficou 0,5% mais alto do que o esperado.

Com isso, acumulou queda de 3,8% em quatro trimestres, vindo de -4,1% no encerramento de 2020. Assim, após o ajuste sazonal, o nível do PIB já é praticamente igual ao de antes da pandemia. Será ultrapassado numericamente na virada do segundo para o terceiro trimestre de 2021, se forem confirmadas nossas projeções.

Na ótica da oferta, como o PIB é construído pelo IBGE, o destaque positivo vai para a agricultura. O setor teve um crescimento de 5,7% no primeiro trimestre de 2021 na margem, vindo de uma queda de 1,5% no quarto trimestre de 2020. Antes, projetávamos uma alta de 3,7%. O motivo para o resultado melhor foi as boas safras de soja, arroz e fumo.

Por sua vez, os PIBs da indústria (0,7%) e dos serviços (0,4%) vieram praticamente em linha. O primeiro setor contou com impactos positivos dos segmentos extrativos, de construção e eletricidade. O segundo, dos transportes, intermediação financeira e informática.

Demanda

O principal aspecto dos componentes da demanda foi a alta de 4,6% dos investimentos no primeiro trimestre de 2021. Isso ocorreu com a discreta queda (-0,1%) do consumo das famílias no trimestre.

Mesmo com o término momentâneo dos auxílios emergenciais no período, em paralelo à maior inflação, o agregado de consumo mostrou notável estabilidade. Antes, esperávamos uma retração de 1%.

As importações subiram 11,6%, ao passo que as vendas ao exterior cresceram 3,7%. O consumo do governo ficou mais fraco, apresentando uma queda de 0,8% contra a projeção de alta de 1%. Esse foi o reflexo da contenção mais severa (1/18) de gastos na “boca do caixa”, antes da formalização do orçamento 2021.

A consequência desses movimentos é que a absorção doméstica segue rodando acima da externa. A continuidade desse descasamento afeta, no médio prazo, os preços relativos de serviços. No entanto, esse ainda não é o caso. O cenário ganhará mais relevância conforme a economia reabrir e voltar ao normal.

Carregamento estatístico

A atualização do primeiro trimestre fez o carregamento estatístico do primeiro trimestre de 2021 para o PIB do ano ficar em 4,8%, vindo de 4,4%. Quanto ao segundo trimestre, ainda que os dados antecedentes (soft data) continuem favoráveis, a produção industrial de abril (hard data) já contratou a variação de -3,1% no período. Essa taxa é compatível com a baixa de 0,5% do PIB na margem, segundo nossas simulações.

Com isso, a nossa projeção de estabilidade para o PIB do segundo trimestre de 2021 segue factível. Na semana terminada em 11 de junho, serão divulgadas as pesquisas mensais de comércio (PMC) e serviços (PMS) do IBGE. Ambas tendem a mostrar a acomodação nesse segundo trimestre.

A abertura dos dados da indústria em abril continuou a mostrar divergências entre os setores. Das quatro categorias que compõem a indústria geral, duas tiveram quedas no mês:

  • intermediários: -0,8%;
  • semi/não duráveis: -0,9%.

Ao mesmo tempo, bens de capital e duráveis subiram 2,9% e 1,6%, respectivamente. O segmento de máquinas e equipamentos mostrou algum vigor, com alta de 2,6%. O resultado foi reflexo do bom momento da agricultura e da construção civil.

O mesmo movimento foi verificado no setor de veículos, com alta de 1,4%. Vale ressaltar que foi registrada discreta melhora mostrada pela confiança dos consumidores desde março de 2021, como mostra o gráfico a seguir.

Com a vacinação e a normalização das atividades, esperamos que os ganhos de confiança sejam ainda mais expressivos e impulsionem as manufaturas de duráveis e semi/não duráveis. Afinal, elas estão defasadas frente aos demais segmentos.

O bottom line é que a retomada da atividade econômica continuará marcada por diferenças setoriais enquanto a normalização dos serviços, especialmente, não ocorrer.

A vacinação e o PIB

Ao ritmo atual de vacinação, de 0,34% da população ao dia, aproximadamente 50% dos adultos já devem estar vacinados com a primeira dose em meados de agosto, de acordo com nossas simulações. Em paralelo com o excelente momento do setor agrícola e da economia global, isso deve contribuir para os ganhos de confiança citados e para a aceleração do PIB trimestral.

O índice deverá ficar perto de 0,6% na comparação trimestral na segunda metade de 2021. Considerando esses pontos, nossa projeção para o crescimento do PIB do ano foi elevada para 5,2%. Antes estava em 4,8%. Para 2022, mantemos nossa expectativa de 3%.

Diante de todos esses dados e cenários, as perspectivas econômicas são as seguintes:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 5,4% em 2021, 3,7% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 17,5% em 2021, 5% em 2022 e 4% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,15 em 2021, R$ 5,25 em 2022 e R$ 5,15 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 5,5% em 2021, 6,25% em 2022 e 6,25% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, -4,1% em 2020, 5,2% em 2021, 3% em 2022 e 3% em 2023.

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1 Comentário

    Muito interessante a análise!

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