Radar da Economia: PMS e PMC: quais foram os resultados e o impacto no PIB?

A publicação de diversos indicadores marcou a semana que terminou em 17 de janeiro de 2020. Os dados de receita real no setor de serviços e vendas no varejo frustraram as expectativas. Ao mesmo tempo, o Produto Interno Bruto (PIB) mensal do Banco Central veio um pouco acima do esperado.

Diante desse cenário, que é de grande importância conjuntural para a política monetária, os preços dos ativos oscilaram de maneira sensível após cada uma das divulgações. É sobre esse assunto que vamos discorrer nesta coluna.

A análise parcial dos dados

Cada um dos dados divulgados leva a uma análise: a de compatibilização com a aceleração do crescimento do PIB para 0,84% no quarto trimestre de 2019. Com isso, o índice desse ano deverá fechar com uma expansão de 1,2%.

Mais importante que isso, devemos avaliar o carrego estatístico — ou carry over, é a “herança” calculada entre um período e outro ao supor que o índice analisado nesse intervalo se mantenha estável no patamar mais atual. Para 2020, ele deve ficar em aproximadamente 1%, o que torna mais factível a projeção de um PIB de 2,5%.

Como consequência, no âmbito da política monetária, entendemos que o Banco Central (BC) ainda está desprovido de informações suficientes para alterar o diagnóstico de que a recuperação doméstica continua crescendo desde o segundo semestre, como também tende a prosseguir em ritmo gradual nos próximos meses.

Essa afirmação é confirmada pelas projeções de autoridade, que são de 1,2% e 2,2% para o PIB de 2019 e 2020, respectivamente. Esses números estão condizentes com os dados divulgados na semana de 17 de janeiro.

Também são compatíveis com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado em 3,7% em 2020, índice “ligeiramente abaixo da meta”, conforme o BC. O mesmo patamar deve se manter em 2021, ou “ao redor da meta”, de acordo com o Banco Central.

Com isso, entendemos que o Comitê de Política Monetária (COPOM) tende a demonstrar “cautela” na condução da política monetária. É provável manter a taxa Selic estável em 4,5% ao ano em suas próximas reuniões. Essa “palavra-chave” foi, inclusive, reiterada pelo presidente da instituição, Roberto Campos Neto, em suas últimas apresentações.

Os dados da PMS e da PMC

De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, divulgada no dia 14 de janeiro de 2020, a receita real de serviços teve queda de 0,1% na margem em novembro, após ajuste sazonal. Na comparação anual, a alta foi de 1,8%.

Essas variações ficaram abaixo do consenso de mercado, que era de um crescimento de 2%, e acima da nossa projeção, que era uma alta de 1,4% na comparação anual e uma queda de 0,6% na avaliação mensal. Na margem, três das cinco atividades pesquisadas apresentaram retração.

Os destaques foram os serviços de transportes, prestados às famílias e informação/comunicação. Na abertura regional, 16 das 27 unidades da federação apresentaram redução, especialmente Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e Espírito Santo.

Em 12 meses, a PMS acelerou para 0,9% e, em termos trimestrais, o carrego estatístico para o 4T19 é de 1,6% — com uma previsão anterior de 1,5% —, vindo de 0,9% no 3º trimestre de 2019. Esse resultado ainda é indicativo de uma aceleração expressiva do PIB de serviços no período, que correspondeu a 65% do total.

É importante notar ainda que a correlação entre as variações trimestrais, corrigidas pela sazonalidade, da PMS e do PIB terciário do IBGE é de 70%. Em relação às vendas varejistas ampliadas, o cálculo é feito pelo IBGE na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

Publicadas no dia 15 de janeiro de 2020, a retração nesse quesito foi de 0,5% na margem em novembro. O resultado foi o primeiro negativo, após oito meses consecutivos de alta. Frente ao mesmo período de 2018, a PMC ampliada registrou crescimento de 3,8%.

Os números também ficaram abaixo da expectativa dos analistas, que era uma alta de 0,4% e 5,2% pela Bloomberg. No entanto, estavam de acordo com as nossas projeções, de uma queda de 0,5% e crescimento de 3,4%.

Esse resultado foi obtido, porque 5 das 10 atividades pesquisadas mostraram recuo na margem. Os destaques foram: veículos (-1%), vestuário (-0,2%), combustíveis (-0,3%) e materiais de construção (-0,1%).

No recorte regional, 13 dos 17 estados monitorados pelo IBGE tiveram queda no mês, especialmente Espírito Santo, Pernambuco e Paraíba. Dessa maneira, a PMC ampliada nacional acumula um crescimento de 3,6% em 12 meses e de 3,8% em 2019.

A PMC ampliada tem uma correlação importante com o “consumo das famílias” no PIB medido pelo IBGE — é a ótica da demanda. Em relação ao conceito restrito, que ignora materiais de construção e automóveis, o indicador registrou alta de 0,6% na margem e 2,9% na comparação anual.

As duas variações ficaram abaixo do esperado, que era de 1,2% e 3,9%, respectivamente. Ainda ficaram um pouco acima da nossa projeção, que era uma queda de 0,3% e uma alta de 0,7%. Os destaques positivos foram os setores de farmacêuticos, artigos de uso pessoal e móveis/eletrodomésticos. Um dos reflexos positivos foi a Black Friday 2019.

Houve revisões apenas marginais para os dados da PMC ampliada de setembro. Com isso, o exercício de carry para o 4º trimestre de 2019 ficou situado em 1,2% na comparação trimestral, 1% acima do que foi estimado antes. Essa taxa é próxima da verificada no 3º trimestre de 2019 e compatível com nossa expectativa de expansão adicional do consumo das famílias no PIB do período (peso de 65% no PIB total).

Em dezembro, deve ser verificada nova elevação desse indicador devido aos estímulos ao consumo ainda presentes na economia. A correlação entre as variações trimestrais (dessazonalidades) da PMC ampliada e do agregado do Consumo das Famílias no PIB oficial é de 71%.

O IBC-Br

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) aumentou 0,18% na comparação mensal em novembro, vindo de 0,08% em outubro. O dado foi divulgado no dia 16 de janeiro de 2020. Na comparação interanual, houve expansão de 1,1%. Em 12 meses, o índice apresentou crescimento de 0,9%.

O IBC-Br é uma proxy mensal para o PIB oficial do IBGE e é construído pelo BC a partir de indicadores sociais: indústria, varejo, serviços, agricultura, impostos e construção. Por isso, apresentou uma dinâmica diferente dos dados de alta frequência já divulgados, ou seja, da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), da PMS e da PMC. Essas últimas apresentarem recuo na margem.

O consenso Bloomberg indicava uma retração de 0,1% na comparação mensal e uma alta de 0,9% na anual. As nossas projeções indicavam um resultado zerado no primeiro caso e um crescimento de 0,9% no segundo. No entanto, o IBC-Br trouxe uma surpresa positiva.

O exercício de carry segue sinalizando uma expansão de 0,6% na comparação trimestral (SA) no IBC-Br do 4º trimestre de 2019. Diante do mesmo trimestre do ano anterior, o ritmo de crescimento acelerou bastante, de 0,9% para 1,7% na comparação anual. Nessa base de análise, as taxas de variação do IBC-Br trimestral apresentam elevada correlação com o PIB oficial.

Mais importante que isso, após o ajuste sazonal do IBGE, o IBC-Br aponta um crescimento de 0,84% do PIB oficial no 4º trimestre de 2019. Esse dado sinaliza uma aceleração frente aos resultados do 3º trimestre de 2019, que fechou em 0,6%, e do 2º trimestre do mesmo ano, que ficou em 0,5%.

Além disso, continua compatível com a nossa perspectiva de retomada gradual da economia no biênio 2019 (1,2%) e 2020 (2,5%). Após o ajuste sazonal do IBGE, o grau de precisão do IBC-Br aumenta de forma sensível. Isso porque a correlação entre as taxas trimestrais das duas séries avança para 95% e seu desvio absoluto médio é bastante minorado. Veja como ficam as projeções:

  • IPCA: 4,31% em 2019 e 3,7% em 2020;
  • câmbio: R$ 4,02 em 2019 e R$ 4,21 em 2020;
  • Selic: 4,5% para 2019 e 2020;
  • PIB: 1,2% em 2019 e 2,5% em 2020.

Em resumo, mantemos nossa afirmação de que o PIB do Brasil vai acelerar seu ritmo de expansão para 2,5% ao longo de 2020. O motivo é o carrego estatístico favorável de 2019 e os impulsos positivos ainda presentes na economia e materializados em taxas de juros estimulativas e expansão do crédito e da confiança econômica.

Outro fator é o ambiente menos incerto para o comércio global após a assinatura da fase 1 do acordo comercial entre China e Estados Unidos. Com isso, os resultados devem ser positivos, conforme destacam nossas projeções.

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