Radar da Economia: A confirmação das perspectivas positivas para final de 2019 e 2020

As mudanças ocorridas na semana que encerrou em 13 de dezembro de 2019 foram emocionantes. As previsões feitas até o dia 6 foram alteradas e as perspectivas agora são bastante diversas, tanto para o final de 2019 quanto para o início de 2020.

O cenário começou a mudar com os modelos do Banco Central do Brasil (BCB) e passou pela revisão de perspectiva do rating brasileiro e pelo acordo entre China e Estados Unidos. Todos esses movimentos se refletiram nos ativos e isso modifica as projeções.

Então, como analisar o contexto daqui para frente? É o que faremos nesta coluna. Acompanhe e veja quais são os fatores de influência atualmente no mercado.

Reunião do Banco Central dos EUA

O primeiro evento é a reunião do BC americano. Apesar de que, normalmente, teria sido o fato mais importante, acabou sendo irrelevante por ter sido tão bem precificado. Para entender, vamos ver as resoluções.

Os juros foram mantidos no intervalo entre 1,5% e 1,75% — e havia uma chance de 99,8% de ocorrer isso, segundo a probabilidade implícita na curva de juros de mercado calculada na véspera da reunião. Por isso, não houve surpresa com a decisão dos juros.

Vale a pena destacar que foi feita a manutenção de praticamente todos os parâmetros estimados na reunião de setembro, quando a revisão da projeção foi divulgada. A diferença foi uma redução marginal na taxa de desemprego esperada nos próximos anos. Ainda assim, o cenário futuro permaneceu sem alterações importantes.

Existia ainda alguma curiosidade a respeito da revisão das projeções e das declarações do presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell. No entanto, a comoção do mercado foi pequena.

Isso porque Powell apenas reforçou o que já vinha falando desde a reunião de outubro, ou seja, os juros seriam alterados apenas se a inflação ficasse sistematicamente acima da meta de 2%. Considerando as projeções do FED, que sinalizam uma inflação de 2% até 2022, o recado seria o de que os juros ficarão no patamar atual durante um período maior.

Dessa forma, a ideia de que a política monetária americana deverá ser um fator de estímulo ao crescimento foi reforçada. Isso deve continuar sustentando os preços dos ativos internacionais.

Eleição geral no Reino Unido

Esse foi outro evento internacional que contribuiu para o otimismo global da semana. Como esperado, o pleito se tornou um plebiscito sobre o Brexit e tudo indica que o eleitor britânico quer acabar com esse assunto em breve.

Afinal, a vitória significativa do partido Conservador, do atual primeiro-ministro Boris Johnson, é uma clara sinalização disso, uma vez que sua campanha foi baseada na defesa da saída do Reino Unido da União Europeia, conforme aprovado em outubro. Para os mercados, essa vitória aumenta as chances de uma saída ordenada.

Para os ativos em geral, essa é uma boa notícia, apesar de ela ser ruim para os britânicos em particular. Entretanto, acreditamos que essa visão mais otimista da vitória de Boris Johnson pode ser precipitada. O acordo com a União Europeia continua com algumas pontas soltas, como a questão da fronteira das Irlandas.

Esse cenário deve fazer as negociações internas e externas terem espaço para se estenderem por mais tempo. Assim, apesar da boa recepção do mercado, o resultado das eleições britânicas não é uma garantia de que a questão do Brexit deixará de existir nos próximos meses. Ainda é preciso esperar.

Acordo entre China e Estados Unidos

Os fatores anteriores já eram esperados, mas a fase 1 do acordo entre China e Estados Unidos foi uma surpresa. A tentativa é de resolver a Guerra Comercial entre os dois países. Apesar disso, a previsão era de que as duas nações não conseguiriam chegar o acordo até o dia 15 de dezembro, quando haveria uma nova rodada de tarifas americanas sobre os produtos chineses.

Caso isso tivesse acontecido, haveria um impacto neutro sobre os ativos devido à manutenção do status quo. Com o avanço na fase 1 do acordo — e se ela realmente se concretizar —, o cenário para a Guerra Comercial em 2020 muda totalmente.

Antes a crença era de que a política de “morde e assopra” se manteria durante 2020, conforme as negociações estavam caracterizadas. Por um lado, isso não geraria uma solução para o problema. Por outro, também não haveria uma piora das perspectivas para o comércio mundial.

Agora, caso a notícia de redução das tarifas já impostas se confirme, o cenário passa a ser positivo. Ele ainda é somado ao impulso derivado do afrouxamento monetário ao redor do mundo, que projeta um viés de alta para o crescimento mundial em 2020.

Perspectiva do rating do Brasil e a reunião do COPOM

A classificação do Brasil passou de neutro para positivo na Standard & Poor’s (S&P). A notícia foi imprevista, porque era esperada para o início de 2020, não agora. No entanto, os avanços nas reformas e os números melhores da economia brasileira geraram essa antecipação.

O adiantamento na mudança da perspectiva, que antecede a alteração do rating, também fortalece a projeção de elevação da nota brasileira ainda no 1º semestre de 2020. Apesar do risco-país já ter sinalizado esse movimento, a chancela oficial das agências de rating será importante para atrair os investidores estrangeiros.

Tudo isso ajuda na consolidação da redução da taxa de juros neutra e, por consequência, da Selic de equilíbrio perseguida pelo BCB. Com esse cenário, chegamos à reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM).

Se a redução de 0,50 ponto percentual — de 5% ao ano para 4,5% ao ano — era totalmente esperada, o tom do Comunicado era fonte de grande dúvida. Afinal, o BCB indicaria o fim do ciclo ou deixaria a porta aberta para novos cortes?

No Opinião anterior, previmos: “acreditamos que os juros serão mantidos em 4,5% ao ano durante todo o ano de 2020. Entretanto, não acreditamos que isso seja explicitado no Comunicado dessa reunião, deixando o espaço ainda aberto para novos cortes”.

O resultado foi de que acertamos na direção, mas fomos surpreendidos pela forma. A expectativa é de que a questão ficaria aberta no texto, com a recomendação de que possíveis novas reduções seriam feitas com “cautela”.

Essa palavra até apareceu, mas se referiu à política monetária em geral. Conforme o Comunicado, “o COPOM entende que o atual momento do ciclo econômico recomenda cautela”. Isso poderia ser considerado até mais conservador, mas não foi isso que aconteceu.

A parte em que o BCB deixou a porta aberta para novos cortes veio nas projeções. O modelo híbrido adotado — com o dólar constante em R$ 4,20 e os juros do boletim Focus —, que tem chamado a atenção dos analistas, ficou em 3,7%, diferente dos 3,9% esperados pelo mercado.

Considerando que a trajetória dos juros no boletim Focus indica uma redução para 4,25% ao ano no início de 2020 para 4,5% ao ano no final do ano, podemos entender que o BCB ainda tem espaço para fazer mais um corte, sem colocar em risco a meta de 4% para a inflação em 2020.

Como uma diferença tão significativa como essa é anormal, vamos aguardar a divulgação da ata do dia 17 de dezembro para saber o que aconteceu. Ainda assim, o que fica do Comunicador é o maior nível de conservadorismo na fala, com a porta aberta para novos cortes nos números.

Por enquanto, mantemos a projeção de que essa foi a última redução do atual ciclo, com os juros permanecendo estáveis em 4,5% ao ano até o final de 2020. Apesar de reconhecermos a indicação do BCB na direção de um potencial novo corte, acreditamos que a variável principal será o crescimento.

Os dados de crescimento divulgados consolidaram nossa expectativa em relação à preocupação do Banco Central do Brasil com os mecanismos de transmissão.

Além disso, tanto a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) quanto a de Serviços (PMS), ambas de outubro, ficaram acima do esperado pelo mercado. O índice de atividade econômica IBC-Br veio alinhado, mas mostrou que, ainda que não exista crescimento nos dois próximos meses do 4º trimestre, o “PIB do BCB” deve apresentar uma elevação de 0,6% para o período.

Como isso parece improvável devido aos indicadores antecedentes já disponíveis, mantemos a projeção de uma alta de 1% para o 4º trimestre na comparação com o 3º trimestre. Se esse resultado for conformado, o carrego estatístico de 2019 para 2020 seria de 1,2 ponto percentual contra 0,3 ponto percentual de 2018 para 2019.

Em outras palavras, se reproduzirmos o mesmo padrão de crescimento de 2019, só pela diferença do carrego estatístico já podemos esperar uma alta de 2,1% para o PIB de 2020. Desse modo, acreditamos que o viés para a projeção de 2,5% será de alta.

Em resumo, a semana foi surpreendente e positiva. A partir dos últimos resultados e acontecimentos, temos uma expectativa de alta para o crescimento mundial e do Brasil. Além disso, há a perspectiva de um câmbio mais tranquilo e de que, se não houver espaço para novas quedas de juros, eles poderão ficar nos atuais patamares por um período maior.

Com essas perspectivas, só falta o mercado fazer um bom uso dos dados. Confira, agora, como ficam as projeções para o final de 2019 e 2020:

  • IPCA: 4% para 2019 e 3,7% para 2020;
  • câmbio (eop R$/US$): 4,10 para 2019 e 4,21 para 2020;
  • Selic (eop): 4,5% para 2019 e 4,5% para 2020;
  • PIB: 1,2% para 2019 e 2,5% para 2020.

E você, achou interessantes as mudanças ocorridas na semana do dia 13 de dezembro? Concorda com as projeções? Deixe seu comentário e explique sua perspectiva!

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