Radar da Economia: Resultado primário surpreende, mesmo com inflação em alta e arrecadação em baixa

As contas públicas voltaram a surpreender positivamente em julho. Elas continuam em uma dinâmica construtiva, apesar do sempre presente ruído fiscal. Essa situação aumenta a incerteza em relação ao futuro e gera uma percepção mais negativa da realidade.

De fato, reconhecemos que as pressões para a expansão dos gastos públicos se tornam, cada vez mais, uma fonte de preocupação. Isso diante da deterioração recente dos índices de popularidade do presidente da República.

Por outro lado, a postura dos principais atores políticos é de respeito ao teto de gastos, com manutenção da disciplina fiscal. Para entender melhor esse contexto, neste Radar da Economia, discorremos a respeito da evolução dos dados e da nossa perspectiva para a trajetória da dívida bruta.

Arrecadação federal

De forma consecutiva, a arrecadação federal tem superado as expectativas do mercado. A surpresa perante as projeções do PRISMA fiscal já soma R$ 116,8 bilhões no período entre janeiro e julho de 2021.

Mesmo com relação à mediana das pesquisas compiladas pela Bloomberg, a surpresa é bastante relevante. No ano, já totalizou R$ 45,9 bilhões. Vale lembrar que as projeções do PRISMA são enviadas até o 5.º dia útil do período de referência.

Por sua vez, as da Bloomberg são encaminhadas por volta do final do mês seguinte ao de referência, próximo da divulgação. Com isso, consideram mais informações e tendem a apresentar um desvio menor. A seguir, apresentamos a tabela de arrecadação federal.

Dentre os fatores que contribuem para esses resultados expressivos, o destaque é a recuperação da atividade econômica. Isso é conseguido devido ao avanço do processo de vacinação contra a COVID-19, o que possibilitou a reabertura da economia.

Inflação

Ainda é preciso ressaltar a aceleração da inflação no período. A taxa acumulada do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses avançou de 4,52% em dezembro de 2020 para 8,99% em julho de 2021.

Em termos reais — ou seja, desconsiderando os efeitos da inflação —, a arrecadação geral das receitas (impostos + previdência) cresceu 16,4% nos 12 meses encerrados em julho de 2021. A base de comparação é o mesmo período do ano anterior.

Essa é a maior taxa de crescimento real desde maio de 2004. É importante destacar que há efeito de base baixa devido às fortes quedas da arrecadação federal durante os meses de:

  • abril: -28,9%;
  • maio: -32,9%;
  • junho: -29,6%;
  • julho: -17,7%.

Essas reduções são comparadas aos resultados obtidos em 2019. A seguir, apresentamos o total geral das receitas em 12 meses.

Resultado primário

Por sua vez, o resultado primário do governo central vem sendo puxado pela robustez dos dados de arrecadação. Ele também tem mostrado resultados melhores do que o esperado e somou uma surpresa de R$ 113,3 bilhões ante as projeções do PRISMA.

Além disso, alcançou R$ 22,7 bilhões em relação às estimativas da pesquisa da Bloomberg. Somente no mês de junho houve uma surpresa negativa.

Devido ao quadro atual, nossa projeção para o resultado primário do governo central é de déficit de R$ 157,7 bilhões em 2021, que representa 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2022, deve haver um recuo para déficit de R$ 80,1 bilhões, ou 0,9% do PIB.

Essa dinâmica mais positiva, a alta no deflator do PIB e as devoluções de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ao Tesouro devem levar a dívida bruta de 88,8% do PIB em 2020 para 80,9% do PIB em 2021. Em seguida, haverá uma leve alta para 81,6% do PIB em 2022.

Esperamos que a dívida bruta volte a uma trajetória descendente a partir de 2025, com o retorno do superávit primário. Isso pode acontecer antes do previsto, caso a disciplina fiscal seja mantida.

Agora, vamos ver qual é a previsão para os indicadores brasileiros e os dados já consolidados desde 2019:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 7,6% em 2021, 3,8% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 18,6% em 2021, 6,1% em 2022 e 4% em 2023;
  • Câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,04 em 2021, R$ 5,17 em 2022 e R$ 5,05 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 7,75% em 2021, 7,75% em 2022 e 6,5% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, -4,1% em 2020, 5% em 2021, 1,9% em 2022 e 2,1% em 2023.

Diante do cenário de aumento da inflação, quais são os melhores investimentos financeiros? Veja como fazer a melhor escolha.

O Banco ABC não interpreta o conteúdo desta publicação como consultoria jurídica, contábil, fiscal ou de investimento ou como uma recomendação, portanto, nenhum investimento, desinvestimento ou outras ações ou decisões financeiras devem se basear apenas nas informações contidas nesta publicação.

 O Banco ABC não faz qualquer representação ou garantia, expressa ou implícita, quanto à exatidão, plenitude e confiabilidade das informações, estimativas ou projeções quanto a eventos que possam ocorrer no futuro. Não há garantia de que quaisquer dessas estimativas ou projeções serão alcançadas. Nada aqui contido é, ou deve ser entendido como, uma promessa ou representação do passado ou do futuro.

 O Banco ABC se exonera, expressamente, de toda e qualquer responsabilidade relacionada ou resultante da utilização desta publicação.

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.