Radar da Economia: Alta da inflação deve começar a arrefecer e IPCA tende a fechar o ano em 8,3%

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou um aprofundamento da deterioração do quadro inflacionário corrente. Isso levou a uma nova onda de revisões de alta nas expectativas dos agentes econômicos para 2021. Ao mesmo tempo, jogou mais pressão, via inércia, para 2022.

De fato, a tendência é que a inflação não dará trégua no curto prazo. Inclusive, o IPCA pode até superar 1% em setembro de 2021 devido à alta da energia elétrica e à nova bandeira tarifária de escassez hídrica.

Com isso, a inflação acumulada em 12 meses deve chegar aos dois dígitos em setembro. No entanto, a perspectiva é que comece a perder força a partir de outubro. Isso considerando a ausência de outros choques que atuem como novos vetores de alta.

Ainda assim, o IPCA de agosto superou o teto das projeções compiladas pelo Broadcast — algo que tem acontecido com frequência. Apesar disso, desacelerou na margem e foi de 0,96% para 0,87%.

Neste Radar da Economia, investigamos a dinâmica da inflação efetiva ante a esperada pelo mercado e pelo Banco Central (BC). Além disso, exploramos alguns pontos que julgamos relevantes. Confira.

Histórico da inflação na pandemia

Avaliando o período de janeiro de 2020 a agosto de 2021, temos que o IPCA superou a mediana das estimativas do mercado em 11 ocasiões. Desse total, nove ocorreram nos últimos 12 meses.

No entanto, o que mais se destaca é que o resultado efetivo superou o teto das projeções em seis vezes. Isso ocorreu também no período dos últimos 12 meses, o que caracterizou uma situação bastante frequente. Os maiores desvios aconteceram em:

  • dezembro de 2020, com IPCA em 1,35% e teto em 1,27%;
  • maio de 2021, com inflação em 0,83% e teto em 0,76%.

Na amostra considerada, o IPCA efetivo ficou abaixo do piso das estimativas apenas em dois meses. Mais especificamente, em janeiro de 2020 (0,21% e piso em 0,31%) e março de 2021 (0,93% e piso em 0,94%).

Se a mediana das projeções dos agentes econômicos tivesse ficado em linha ao resultado efetivo em todos os meses, o IPCA acumulado em 12 meses estaria em 9,01%, atualmente. Ou seja, 0,67 ponto percentual (p.p.) abaixo dos 9,68% efetivamente registrados em agosto.

Projeções

Com relação às previsões do Banco Central, obtivemos os dados pelo Relatório de Inflação. O documento é divulgado na segunda quinzena do último mês de cada trimestre. A autoridade monetária publica suas estimativas para as próximas três divulgações.

Nos últimos 12 meses, houve surpresa de alta em nove ocasiões. Os desvios mais expressivos aconteceram, principalmente, no último mês de cada sequência de projeções.

Se o esperado tivesse sido igual ao realizado, o IPCA em 12 meses estaria em 5,85%. Ou seja, 3,83 p.p. abaixo do realmente verificado. Isso ilustra o grau de incerteza com relação à dinâmica da inflação em função de seguidos choques. Afinal, eles prejudicaram a descompressão da inflação em 2021.

Em vista desses choques — alimentos, combustíveis e energia elétrica —, o mercado tem revisado consistentemente as expectativas para a inflação de 2021 e 2022. A tendência é que a previsão para 2021 supere 4%, em breve tornando a convergência das expectativas pelo Banco Central uma tarefa ainda mais desafiadora.

Dados consolidados

Grande parte da aceleração da inflação em 2021 se deve aos preços administrados. Por exemplo, gasolina, que subiu 39,1% em 12 meses, e energia elétrica, com alta de 21,1%. Esses itens contribuem com 1,9 p.p. e 0,9 p.p., respectivamente, para o IPCA em 12 meses. Como a inflação está em 9,68%, eles representam de forma conjunta aproximadamente 29% da taxa.

Em bens industriais, destacamos a evolução dos preços do etanol, com alta de 62,3%. Ainda é importante ressaltar os automóveis novos, com crescimento de 9,8%, e dos usados, com elevação de 12,5%. Conjuntamente, esses três itens representam 0,9 p.p. do IPCA nos últimos 12 meses.

O foco de atenção nos próximos meses será relacionado à evolução dos serviços, que seguem em trajetória de alta. Eles estão em um processo de normalização, que pode gerar pressões mais perenes devido ao caráter mais inercial dessa categoria.

Além disso, vale destacar que o indicador de difusão de serviços já mostra altas disseminadas dentro desse componente. Esse é um reflexo da retomada desse setor com a reabertura da economia.

Em agosto de 2021, o indicador registrou 70,59%. A média de 2021 já supera, ainda que levemente, a mediana de anos anteriores. Isso acende um sinal de alerta.

A difusão do IPCA geral também segue elevada. Atingiu 71,88% em agosto de 2021. Enquanto isso, a média de 2021 supera de modo mais expressivo a dos anos anteriores.

Por fim, ressaltamos a dinâmica desfavorável dos núcleos. Eles excluem itens voláteis ou reduzem seu peso cesta e mostram a tendência mais estrutural da inflação.

Em vista do novo conjunto de informações, revisamos nossa projeção para o IPCA. Acreditamos que ele vai de 7,6% para 8,3% em 2021 e de 3,8% para 4% em 2022. Veja mais resultados:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 8,3% em 2021, 4% em 2022 e 3,25% em 2023
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 18,6% em 2021, 6,1% em 2022 e 4% em 2023;
  • Câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,04 em 2021, R$ 5,17 em 2022 e R$ 5,05 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 8,5% em 2021, 8,5% em 2022 e 6,5% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, -4,1% em 2020, 5% em 2021, 1,9% em 2022 e 2,1% em 2023.

Diante desse cenário de alta da inflação, o rendimento real dos investimentos tende a diminuir. Veja como fazer a melhor escolha.

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