Radar da Economia: Países sofrem alta na inflação e tendência pode se manter até 2022

O mês de setembro foi marcado pelo aumento da incerteza em âmbito global. Isso gerou queda nas bolsas de valores pelo mundo. Além disso, foram registradas altas nas taxas de juros e fortalecimento do dólar.

Por exemplo, o S&P 500 recuou 4,8% no período. Essa foi a primeira queda desde janeiro e a mais alta desde março de 2020, no começo da pandemia. O yield da Treasury de 10 anos subiu dos níveis de 1,3% para patamares acima de 1,5%. Com isso, encerrou o mês em 1,49% — maior taxa desde junho.

Enquanto isso, o título de 10 anos do Reino Unido atingiu 1% pela primeira vez desde maio de 2019. Por sua vez, o DXY — que representa o dólar contra seis moedas (euro, libra, iene, franco suíço, dólar canadense e coroa sueca) — atingiu os níveis mais elevados desde setembro de 2020.

Com esse panorama, neste Radar da Economia, discutimos os desenvolvimentos recentes que tornaram o ambiente externo mais desafiador. Saiba mais.

Inflação global

A reprecificação dos ativos ocorre em meio a sinais de perda de ímpeto no crescimento da economia global. Isso acontece aliado a mais riscos de pressão inflacionária devido a:

  • disrupções nas cadeias produtivas;
  • escassez de mão de obra;
  • crise de energia, que atinge a Europa e a China de forma mais intensa.

Esse cenário já começa a fortalecer o argumento de quem espera que a alta na inflação global será mais persistente, em vez de transitória. Inclusive, isso foi expresso de maneira recorrente pelos Bancos Centrais.

Nesse sentido, vale destacar que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou, ao se referir recentemente aos gargalos de oferta e aos problemas na cadeia produtiva: “Vemos isso provavelmente continuando no próximo ano e segurando a inflação por mais tempo do que havíamos pensado”.

Inflação ao consumidor

Em termos anuais, a inflação ao consumidor tem atingido níveis não vistos há muitos anos. Nos Estados Unidos, atingiu 5,3% em agosto, desacelerando ante 5,4%. Essa é a maior taxa em 13 anos.

Na Europa, a prévia de setembro mostra inflação de 3,4% na zona do euro. Essa também é a mais alta desde 2008. Enquanto isso, no Reino Unido, a leitura de agosto é de 3,2%, a mais elevada desde 2012.

Diversos fatores contribuem para essa aceleração. Dentre eles, o efeito de base baixa de 2020, a reabertura da economia e as pressões de custos. Esse último quesito acontece, especialmente, no segmento de energia. Além disso, é puxado pela retomada nos preços do petróleo, que já se encontra nos níveis mais altos desde 2018 e em alta de 52,8% no ano (Brent).

Nesse sentido, é importante acompanhar a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e aliados (OPEP+). Ela será realizada no dia 4 de outubro e levará à decisão de aumento de produção.

A esse quadro, soma-se a escassez de caminhoneiros no Reino Unido para transportar combustíveis. Essa situação gerou um desabastecimento em diversas regiões e corridas aos postos.

Também se observa uma disparada nos preços do gás natural na Europa (+350%) e nos Estados Unidos (120%) no ano. Esse cenário ocorre em função de estoques baixos e aumento da demanda, na esteira da reabertura das economias.

China

Na China, o agravamento da situação da oferta de energia elétrica tem levado diversas regiões a ficarem com uso limitado. Por isso, o governo chinês ordenou empresas estatais do setor a garantirem a oferta a qualquer custo.

Essa limitação no uso de energia gera um risco adicional para a inflação global. Isso ocorreu por conta da restrição da produção de insumos usados nas diversas cadeias produtivas, desde chips semicondutores a peças para montagem de máquinas/equipamentos e outros componentes.

Autoridades chinesas também pediram para que as mineradoras estatais produzam carvão na capacidade máxima até o final de 2021. Inclusive, se superarem os limites de cotas anuais. Portanto, a perspectiva é de continuidade das pressões nos preços de energia, tendo em vista o aumento esperado da demanda com o início do inverno no hemisfério norte na segunda quinzena de dezembro.

Assim, a China agora se esforça para evitar a deterioração de um quadro que já tem tornado o ambiente global mais incerto e desafiador. Afinal, o país já vinha atraindo a atenção dos mercados com as sucessivas intervenções regulatórias em diversos setores da economia. Além disso, há as dificuldades financeiras de empresas do setor imobiliário, especialmente, a Evergrande.

No Brasil, os dados consolidados e as projeções até 2023 dos principais indicadores são:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 8,6% em 2021, 4% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 17,5% em 2021, 6,1% em 2022 e 4% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,11 em 2021, R$ 5,24 em 2022 e R$ 5,14 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 8,25% em 2021, 9% em 2022 e 6,5% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, -4,1% em 2020, 5% em 2021, 1,8% em 2022 e 2,1% em 2023.

Nesse cenário, é preciso cuidar dos seus investimentos. Entenda a importância da diversificação na sua carteira.

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