Radar da Economia: Indústria e comércio varejista registram queda; setor de serviços avança em agosto/21

Alinhado ao que temos observado no Brasil e em outros países, o perfil da recuperação da atividade pós-COVID tem sido caracterizado pela diferenciação entre os setores econômicos. Esse aspecto já era evidente na fase inicial da retomada, como abordamos em relatórios anteriores.

Porém, ganhou importância ainda maior agora, em estágio mais adiantado. Isso porque, com o controle da pandemia, entramos nesse último quarto de 2021 com a expansão sustentada do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico. Pelo menos, pelas atividades de serviços, ainda que de forma tênue. Elas são basicamente as mesmas que foram penalizadas sob a vigência das medidas de isolamento social.

Ao compararmos o seu nível atual com o que foi apurado antes da pandemia, percebe-se que esse movimento de convergência dos serviços ainda tem algum fôlego para permanecer por mais alguns trimestres. Contudo, uma vez encerrado esse efeito, a tendência é voltarmos a conviver com taxas mais comedidas de crescimento, fundamentadas em:

  • ambiente de juros reais mais elevados;
  • perda de tração nos principais parceiros comerciais;
  • incerteza econômica elevada.

Partindo dessa conjuntura, aproveitamos os dados de atividade publicados na semana finalizada em 15 de outubro para discutir as tendências de curto e médio prazo para a economia brasileira. Esse é o tema deste Radar da Economia. Acompanhe.

Análise do IBC-Br

De todos os indicadores publicados, o destaque é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Esse é um proxy mensal para o PIB oficial do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Portanto, tem alta correlação na base trimestral e anual com os dados das contas nacionais, ou seja, o PIB total.

Vale a pena ressaltar que esse índice é calculado todos os meses pelo BC e tem cobertura nacional. Ele ainda incorpora estimativas para os valores adicionais dos diferentes segmentos da economia brasileira, como agropecuária, indústria e serviços. Também abrange os impostos sobre produtos pela ótica da oferta.

Voltando ao IBC-Br, em agosto, ele teve queda de 0,15% na margem, após um ajuste sazonal. Na comparação anual, foi registrada uma alta de 4,7%. Esses resultados ficaram próximos do projetado, que eram de -0,1% e 4,9%, respectivamente.

No entanto, os índices mensais referentes a julho e junho foram revisados para baixo. O primeiro passou de 0,6% para 0,2%. O segundo, de 1,1% para 0,2%. Esse movimento aconteceu, principalmente, em função da atualização dos fatores sazonais.

Dessa forma, a variação nos três meses encerrados em agosto ficou em apenas 0,21%. Mais importante do que isso, o carregamento estatístico para o terceiro trimestre cedeu para 0,15%. Antes estava em torno de 1%.

Quanto ao mês de setembro, os dados antecedentes que acompanhamos sugerem um movimento ainda tímido do “PIB Mensal”. A alta foi de 0,1% frente a agosto, com a realização dos ajustes sazonais.

Então, o resumo da história é que o IBC-Br tende a encerrar o terceiro trimestre com variação de apenas 0,2% na margem, vindo de dados revisados de -0,4% no 2.º trimestre de 2021. Considerando como esse índice é calculado, nossos modelos sugerem que o PIB oficial também tende a mostrar a expansão da mesma magnitude (0,2%) no 3º trimestre de 2021. Esse resultado está abaixo da expectativa anterior, que era de 0,5%.

Desempenho dos setores

Em termos setoriais, os desempenhos continuam discrepantes, tanto em agosto quanto no 3.º trimestre de 2021 acumulado. A produção industrial recuou 0,7% no mês. O carregamento estatístico foi de -1,5% no trimestre, ainda afetado por gargalos de oferta de bens duráveis e pressões de custo.

Na mesma direção, o comércio varejista ampliado registrou variações de -2,5% na margem e -1,1% no trimestre. Além dos mesmos gargalos, isso refletiu o deslocamento da demanda de bens para serviços e a alta da inflação e dos juros ao consumidor, na ponta.

Vale notar que esse índice ampliado do varejo é o que tem a maior correlação com o agregado de consumo das famílias no PIB. O peso foi de 60% no PIB total. O viés apontado para o resultado desse segmento no 3.º trimestre de 2021 também é de baixa, como mostram os gráficos a seguir. Assim, mostra-se compatível com a perspectiva de um crescimento econômico mais tímido no período (0,2%).

Por fim, quanto aos serviços, houve avanço de 0,5% em agosto de 2021. Esse cenário implicou um carregamento estatístico expressivo de 3,2% no 3.º trimestre de 2021. O destaque foi positivo para os serviços prestados às famílias, que foram de 4,1% no mês e 51% desde abril. Esse é um reflexo da vacinação combinado com a maior mobilidade e a flexibilização das atividades.

Aliás, o subsetor é um dos que apresentam mais espaço para expansão adicional. Afinal, situa-se em um nível menor do que o patamar pré-pandemia. A diferença ainda é de 17%.

Esse ritmo dos serviços (PMS) no 3.º trimestre de 2021 (3,2%) é compatível com uma boa performance do segmento nas contas nacionais. Nossa análise aponta para uma expansão próxima de 1% para o setor no mesmo período. O aumento tende a continuar no 4.º trimestre do ano, mesmo que em um ritmo mais lento.

Isso porque existe um hiato a ser preenchido. Há espaço para essas atividades crescerem, tendo em vista que os serviços prestados às famílias — turísticos, de lazer e que demandam interação social — devem voltar ao normal pré-COVID, finalmente.

Dessa maneira, avaliamos que o PIB do 4.º trimestre de 2021 deve crescer por volta de 0,4%, ainda sustentado pelos serviços. Com isso, o Produto Interno Bruto projetado para 2021 segue em 5%. Para 2022, devido ao menor efeito de carregamento, projetamos agora uma alta de 1,5%. Antes, era de 1,7%.

Há um certo viés de baixa no número para 2022, tendo em vista que a conjuntura segue marcada por incertezas. Além disso, o ambiente é de juros reais maiores e de perda de tração nos nossos principais parceiros comerciais. Assim, os índices econômicos ficam da seguinte forma:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 8,6% em 2021, 4% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 17,5% em 2021, 6,1% em 2022 e 4% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,17 em 2021, R$ 5,27 em 2022 e R$ 5,14 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 8,25% em 2021, 9% em 2022 e 6,5% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, -4,1% em 2020, 5% em 2021, 1,5% em 2022 e 2,1% em 2023.

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