Radar da Economia: Inflação sobe mais do que o esperado; expectativa é de mais aumento

A leitura do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro mostra que a inflação no Brasil continua sem dar tréguas. Esse cenário acontece mesmo após sucessivos choques de alta, o que confirma a percepção de pressões inflacionárias persistentes.

De fato, a inesperada aceleração para 1,2% no mês citado chama a atenção. Ele veio de uma taxa já bastante elevada em setembro, que foi de 1,14%. Agora a alta foi derivada, principalmente, do componente de serviços, puxado por subitens relacionados à reabertura da economia. Essa foi uma surpresa, já que nossa projeção apontava crescimento de 1%. Esse também era o consenso de mercado.

Considerando esse cenário, este Radar da Economia discute o que mais tem pressionado a inflação até o momento. Além disso, abordaremos o que ainda deve continuar sendo um vetor de alta. Saiba mais.

Risco fiscal

Após a aceleração nos preços das commodities, que não foi compensada pela apreciação cambial, ainda houve disrupções nas cadeias globais de produção e adversidades climáticas, como secas, geadas e crise hídrica. Isso levou a uma relevante piora na avaliação do risco fiscal.

Como consequência, o balanço de riscos se tornou mais negativo. Ao mesmo tempo, o controle da inflação ficou mais desafiador. Segundo o relatório Focus do Banco Central, as expectativas do mercado mostraram deterioração significativa devido a essa nova conjuntura.

IPCA

A mediana para o IPCA em 2022 passou de 4,18% para 4,4%. Assim, ficou mais distante do centro da meta, que é de 3,5%. Vale notar que a média acelerou de 4,25% para 4,47%. Esse movimento de alta pode levar a novos avanços na mediana no futuro próximo.

Ainda se destaca a primeira alta na mediana para 2023. Ela foi de 3,25% (que estava alinhado ao centro da meta para 2021) para 3,27%. Com isso, a média foi de 3,34% para 3,4%. Para 2024, a mediana também subiu. Ela foi de 3% (meta) para 3,02%. Apesar das revisões para 2023 e 2024 serem bem sutis, isso já começa a mostrar algum desconforto por parte dos agentes econômicos.

Ao analisar a evolução do IPCA cheio de janeiro a setembro, alguns pontos chamam a atenção. Observando a tabela a seguir, é indiscutível que o grande vilão em 2021 é a gasolina, destacado em azul. Esse subitem figurou entre as cinco maiores contribuições de alta em todos os meses até o momento. A exceção é abril, quando foi registrada uma deflação de 0,44%. Veja.

Na sequência, temos a energia elétrica, que foi destaque de alta em seis meses. Desde maio, figura em sequência devido à deterioração do quadro dos reservatórios. Apesar disso, eles têm apresentado alguma melhora nas últimas semanas. Ainda aparecem no grupo das maiores contribuições de alta em cinco meses:

  • gás de botijão, que tem pressionado o orçamento das famílias mais carentes;
  • automóvel novo.

Perspectivas para a inflação

Em função dos recentes reajustes de preços de combustíveis na refinaria pela Petrobras, a perspectiva é de mais pressões na inflação adiante. Para ter uma ideia, a gasolina já aumentou 7% e o diesel, 9%.

Inclusive, para o mês de outubro, nossa expectativa é que a gasolina retome o posto de maior impacto altista no IPCA. A variação esperada é superior a 3%. O motivo são os repasses da alta de preços da refinaria para o varejo.

Por fim, no setor de alimentos, destacamos um item que poderia gerar algum alívio na inflação: carnes. Os preços do boi gordo seguem em declínio desde meados de setembro de 2021. A razão é a confirmação de casos da doença da vaca louca. Com isso, as exportações de carne para a China foram prejudicadas.

Apesar da maior oferta doméstica motivada por esse evento, a recomposição de margens no setor tem impedido um alívio mais expressivo na inflação, que seria muito bem-vindo. Veja nos gráficos.

Diante desse cenário, os dados consolidados e as projeções de indicadores são as seguintes:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 9,5% em 2021, 4,7% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 19,5% em 2021, 7% em 2022 e 4% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,47 em 2021, R$ 5,57 em 2022 e R$ 5,29 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 9,25% em 2021, 10,75% em 2022 e 7,5% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, -4,1% em 2020, 5% em 2021, 0,5% em 2022 e 1,9% em 2023.

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