Radar da Economia: FED faz anúncio com tom hawkish; mercado espera alta dos juros

Quem imaginava que a primeira semana do ano seria tranquila enganou-se profundamente. Esse pensamento ocorreu devido ao recesso do Congresso, o que faria os ruídos políticos darem uma trégua.

Diversos fatores externos e internos contribuíram de forma relevante para aumentar a incerteza e a volatilidade dos ativos de risco. Isso por conta da tônica dos desafios que o mercado enfrentará em 2022.

Com isso, neste primeiro Radar da Economia do ano, discutimos a respeito do tema global que deve ser o foco de atenção ao longo de 2022 e que já começou a ganhar destaque. Confira.

Taxas de juros nos EUA

Recentemente, o movimento relevante de abertura das taxas de juros nos Estados Unidos tem chamado a atenção. O yield do título de 10 anos passou de 1,38%, na segunda quinzena de dezembro, para 1,76% ao final da primeira semana de 2022. Esse movimento teve dois catalisadores:

O primeiro catalisador foi divulgado na quarta-feira e trouxe um tom mais hawkish. O FED — Banco Central americano — se mostrou preocupado com a inflação e disposto a acelerar o ritmo de normalização da política monetária.

Nesse sentido, um dos trechos mais importantes da ata sinaliza: “Participants generally noted that, given their individuals outlooks for the economy, the labor market, and inflation, it may become warranted to increase the federal funds rate sooner or at a faster pace than participants had earlier anticipated”.

Em tradução livre, seria: “Os participantes notaram que, devido aos panoramas individuais para a economia, o mercado de trabalho e a inflação, pode se justificar o aumento das taxas dos fundos federais mais cedo ou em um ritmo mais rápido do que os participantes haviam antevisto previamente”.

Outro ponto de destaque foi a discussão sobre a redução do balanço de ativos do FED, que atinge cerca de 8,8 trilhões de dólares. A ata trouxe que “Some participants also noted that it could be appropriate to begin to reduce the size of the Federal Reserve’s balance sheet relatively soon after beginning to raise the federal funds rate”.

Em outras palavras, “alguns participantes também observaram que pode ser apropriado começar a reduzir o tamanho do balanço do Federal Reserve logo após começar a aumentar a taxa dos fundos federais”.

Consequências

Após a divulgação da ata, o mercado futuro de juros nos Estados Unidos chegou a atribuir 80% de chance de uma alta de 25 pontos-base (bps) na reunião do FOMC de março. Além disso, foram cogitados três aumentos em 2022.

Na sequência, alguns diretores do FED se pronunciaram reforçando essa percepção. James Bullard, presidente da distrital de St. Louis, afirmou na quinta-feira que a primeira elevação de juros pode vir já em março. Inclusive, ele é um dos membros do FED que projetam três altas em 2022.

Além disso, Bullard disse que é a favor de começar a reduzir o balanço do FED logo após o primeiro aumento de taxa. Por sua vez, a presidente da distrital de San Francisco, Mary Daly, também falou sobre a redução do balanço. Em sua visão, deve acontecer após uma ou duas altas de juros.

Segundo catalisador

Já o segundo catalisador — dados do mercado de trabalho — foi misto, de certa forma. O payroll mostrou geração líquida de 199 mil postos de trabalho em dezembro, ficando bastante abaixo da expectativa do mercado, que era de 450 mil. Essa é a mediana de projeções compiladas pela Bloomberg.

Por outro lado, a taxa de desemprego recuou de 4,2% para 3,9%, ficando abaixo do esperado, que era de 4,1%. Veja os detalhes.

Pelo gráfico acima, é interessante observar como a taxa de desemprego nos Estados Unidos tem recuado para níveis próximos ao pré-pandemia. Observa-se, também, que essa melhora é devido à descompressão na categoria das pessoas que permaneciam desempregadas. Ou seja, isso confirma a visão do FED de que as condições do mercado de trabalho têm melhorado.

Além disso, há uma surpresa de alta na leitura dos ganhos médios por hora trabalhada, o que contribui para o movimento de abertura das taxas de juros. Em termos anuais, o mercado esperava uma alta de 4,2% em dezembro. No entanto, o número efetivo foi de 4,7%.

Por sua vez, o dado de novembro foi revisado para cima. Saiu de 4,8% para 5,1%. Mau sinal para a inflação, que atingiu 6,8% em novembro, de acordo com as expectativas. Esse foi o maior patamar desde 1982.

Perspectivas para 2022

Por fim, temos que a resposta do FED à dinâmica da inflação e do mercado de trabalho certamente será um dos principais temas de atenção para os mercados em 2022. Isso devido aos potenciais impactos em todas as classes de ativos de risco.

A depender de como o FED conduzirá esse processo, mais desafiadora será a travessia até 2023. Confira o último gráfico.

No Brasil, as perspectivas também são de aumento de alguns indicadores. A taxa de câmbio, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) e a Selic já foram fechados em 2021. Veja esses resultados e outras perspectivas:

  • IPCA: 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 9,95% em 2021, 5% em 2022 e 3,25% em 2023;
  • IGP-M: 7,32% em 2019, 23,14% em 2020, 17,78% em 2021, 7% em 2022 e 4% em 2023;
  • câmbio: R$ 4,03 em 2019, R$ 5,20 em 2020, R$ 5,57 em 2021, R$ 5,57 em 2022 e R$ 5,29 em 2023;
  • Selic: 4,5% em 2019, 2% em 2020, 9,25% em 2021, 12,25% em 2022 e 7,5% em 2023;
  • PIB: 1,4% em 2019, -4,1% em 2020, 4,7% em 2021, -0,5% em 2022 e 1,7% em 2023.

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