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Rating de classificação de risco: o que é, importância e como funciona?

Se você tem pesquisado sobre investimentos para aprender a fazer seu dinheiro render mais, possivelmente deve ter esbarrado no termo rating de classificação de risco em algum momento dos seus estudos, certo? Mas conseguiu entender do que se trata, qual a sua importância e como exatamente funciona?

A classificação de risco é muito importante para investidores, uma vez que ajuda a oferecer informações que são vitais para decidir onde alocar seus recursos e como balancear sua carteira. Melhor se informar mais a respeito dela, não acha?

Siga a leitura deste post para entender o que são os ratings de classificação de risco, o que significam e como usá-los ao montar seu portfólio de investimentos!

O que são as agências de classificação de risco?

As agências de rating são empresas independentes no mercado, cuja função é acompanhar consistentemente a situação financeira de instituições públicas e privadas para avaliar o nível de risco de crédito de cada uma.

A partir daí, tais agências elaboram relatórios completos classificando diversas instituições com base em sua capacidade de honrar compromissos. Assim, os investidores conseguem ter noção do risco de calote ao colocar suas aplicações em títulos públicos ou privados.

Quais as principais agências de classificação de risco?

Existem muitas agências de classificação de risco pelo mundo, mas 3 delas são as mais importantes, concentrando 95% de todo o mercado de análise de risco: a Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s. Confira a seguir uma descrição detalhada de cada uma delas!

Moody’s

A Moody’s é uma das mais tradicionais agências de classificação de risco do mundo. Foi fundada por John Moody em 1900, quando ele publicou um manual com regras de segurança e boa conduta para empresas, dando início ao que se tornou o mercado de avaliação de riscos empresariais e de investimento.

Atualmente, a Moody’s atua em mais de 40 países e tem mais de 11.000 funcionários para angariar informações, processar dados e classificar países, empresas e aplicações com notas com base no seu risco.

Fitch

A Fitch também é uma agência de classificação de risco muito tradicional, com mais de 100 anos de experiência e 2.000 colaboradores pelo mundo, espalhados por mais de 38 escritórios globais da empresa.

A agência foi fundada em 1913, mas foi apenas 10 anos depois que fez uma contribuição que mudou o mercado de investimentos: a criação da escala que vai de D (pior nota) até AAA (melhor nota), que hoje é considerada o padrão do mercado.

Standard & Poor’s

Entre todas as agências de classificação de risco que fazem parte do “Big Three”, a Standard & Poor’s é a mais antiga delas. Inicialmente fundada em 1860, a empresa já conta com mais de 150 anos de experiência no mercado (embora sua estrutura atual tenha sido criada em 1941).

Além de produzir notas para classificar o risco de empresas, países e ativos, a S&P também desenvolve índices econômicos que servem de orientação para investidores no mercado internacional. O mais famoso desses índices é o S&P 500, que acompanha a valorização das 500 empresas mais valiosas do mercado americano e é um dos principais benchmarks para aplicações financeiras nos EUA e no resto do planeta.

Qual a importância da segurança em investimentos de renda fixa?

Na prática, muitos investidores brasileiros não costumam se importar demais com os ratings de classificação de risco por causa de algo chamado Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Afinal, por que se preocupar com o risco de um ativo em renda fixa se o FGC cobre o prejuízo?

Essa é uma postura muito negligente, que pode colocar em sério risco as finanças pessoais do investidor — especialmente quem aplica em quantidades moderadas. Isso porque a maior parte dos investimentos em renda fixa, como títulos CDB, LCI, LCA ou LC, são usados como reserva de emergência ou mesmo para a valorização da aposentadoria dos investidores no mercado brasileiro. Portanto, caso a instituição financeira que emitiu o ativo investido entre em default (ou seja, dê calote), o FGC entrará em cena para cobrir os prejuízos do investidor. O detalhe é que esse processo não é automático.

Na teoria, o FGC deveria pagar os investidores em aproximadamente 30 dias. No entanto, com base nas vezes em que o fundo precisou entrar em ação no mercado brasileiro, o prazo médio costuma ser de 3 meses. Enquanto isso, o dinheiro simplesmente não rende. Além do mais, caso precise recorrer a esses recursos para uma emergência qualquer nesse meio do caminho, o investidor fica na mão.

Risco de investimento x Taxa de juros

Quando se avalia um investimento no mercado, normalmente considera-se três aspectos:

  • a rentabilidade;
  • a liquidez;
  • o risco.

Não existe nenhum investimento no mercado financeiro que tenha uma ótima pontuação em todos os três elementos. Ou seja, não há quem gere alta rentabilidade, com liquidez diária e baixo risco. Se dois desses aspectos são positivos, então o terceiro será negativo.

Por exemplo, uma alta rentabilidade potencial e com boa liquidez é um investimento de alto risco, como ações, opções ou criptomoedas. Já uma aplicação de baixo risco e boa rentabilidade não conta com liquidez diária, mas apenas na data de vencimento, como o Tesouro Direto ou certos títulos de Renda Fixa.

Quando falamos de investimentos de Renda Fixa, normalmente a taxa de juros paga (ou seja, a rentabilidade) está intrinsecamente conectada com o risco daquela aplicação. Isso porque o risco é algo que deve ser superado pelo investidor: ele precisa escolher o título mesmo com o risco.

Logo, quando a classificação de risco de uma empresa é positiva, o risco de investir nela ou com ela é mais baixo. Isso não significa obrigatoriamente menos rentabilidade, mas traz mais segurança ao investidor.

O que o rating de classificação de risco indica?

classificação de risco

Para cada instituição pública ou privada, as agências de avaliação elaboram um rating de classificação de risco com base na sua condição financeira. Isso para indicar aos investidores qual o perigo de aplicar em ativos daquela instituição. Assim, um investidor que quer proteger seu dinheiro só precisa procurar por ativos emitidos por instituições que contam com rating de classificação de risco positivo dado pelas agências.

A maior nota dada por todas elas é o chamado Triple A (falaremos sobre isso a seguir), que indica que determinada instituição é a mais segura possível, com riscos de default minimizados.

Para investidores, portanto, o rating de um ativo é importantíssimo para a avaliação da relação entre risco e retorno daquela aplicação.

Como funciona o rating de crédito?

Se a classificação de risco mede a segurança de aplicar seu dinheiro em um país ou empresa, o rating de crédito avalia a capacidade de um indivíduo, governo ou companhia de honrar os compromissos de crédito assumidos. Ou seja, determina a capacidade do avaliado de pagar empréstimos ou financiamentos obtidos.

Um dos exemplos mais famosos de rating de crédito é o Score de Crédito que cada pessoa tem. Ele é feito por birôs de crédito, como o Serasa, afeta a decisão de bancos e empresas de emprestar dinheiro ou abrir crediário para um consumidor.

Apesar de parecidos, o índice de classificação de risco e o rating de crédito não são iguais. Muitas das informações se sobrepõem, mas o primeiro é direcionado para quem quer decidir onde investir. Por isso, ele avalia coisas como o potencial de crescimento da empresa e a natureza do mercado no qual está inserida.

Já o rating de crédito traduz o histórico de pagador daquela pessoa (física, jurídica ou governamental), indicando se há ou não risco em emprestar dinheiro para ela.

Como o rating de classificação de risco é gerado?

Para elaborar os relatórios e garantir a credibilidade do rating de classificação de riscos de cada instituição, as agências levam em consideração uma série de critérios técnicos. Alguns desses critérios são os seguintes:

  • nível técnico dos gestores da instituição;
  • nível de endividamento de curto prazo da instituição;
  • nível de endividamento de longo prazo da instituição;
  • qualidade dos títulos e das garantias da instituição;
  • estabilidade financeira da empresa ou do órgão estatal;
  • capacidade de caixa da instituição para fazer pagamentos;
  • histórico de crédito e calotes da instituição;
  • capacidade interna de diminuir riscos da instituição;
  • condições macroeconômicas do país onde a instituição opera.

Com base em todos esses critérios, as agências elaboram uma escala de ratings de classificação de risco para comunicar aos investidores. No geral, as escalas de notas são divididas em 2 grupos: grau de investimento e grau especulativo. As notas de grau de investimento são consideradas as melhores, com menor risco. Já as de grau especulativo são dadas para instituições de alto risco. Veja a seguir as escalas de notas!

Grau de investimento

  • mais alta qualidade (AAA);
  • muito alta qualidade (AA+, AA, AA-);
  • alta qualidade (A+, A, A-);
  • boa qualidade (BBB+, BBB, BBB-).

Grau especulativo

  • qualidade especulativa (BB+, BB, BB-);
  • qualidade altamente especulativa (B+, B, B-);
  • risco substancial (CCC);
  • risco muito alto (CC);
  • inadimplência iminente (C);
  • inadimplência restrita (RD);
  • inadimplência (D).

A única diferença entre as agências de risco é que a Moody’s não usa + ou – para criar escalas de avaliação, mas sim os números 1, 2 e 3 — ou seja, o AA1 da Moody’s é equivalente ao AA+ da Fitch e S&P.

O rating de risco é confiável?

Muitos investidores ficam em dúvida se podem ou não confiar nos ratings de risco antes de aplicar o seu dinheiro. A verdade é que sim, podem! Basta pensar que as principais agências estão no mercado há mais de 100 anos (todas) e elas sobrevivem da reputação que têm no mercado.

É simples: se as agências não fizerem avaliações de maneira imparcial e confiável, elas sairiam do mercado. Ninguém as contrataria ou levaria em consideração o que elas têm a dizer. O fato de elas permanecerem por mais de 100 anos com prestígio no mercado indica que sim, suas avaliações são confiáveis.

Dito isso, é vital compreender que a classificação de risco não é uma previsão de futuro. Não é porque uma empresa recebeu nota C que investir nela é certeza de prejuízo. O contrário também é verdadeiro. Na prática, o risco de um investimento nunca é 0 e nem 100%. Portanto, tenha isso em mente ao ler um rating como uma tradução do risco daquele negócio, avaliando se a rentabilidade compensa corrê-lo ou não.

Qual é o rating do Brasil?

Você deve ter ficado curioso ao ler no artigo que as agências de classificação de risco também fazem avaliações sobre países e governos. Isso mesmo, elas aplicam o mesmo padrão para ver quais países têm uma situação econômica mais organizada e quais mercados são mais arriscados. Como não poderia ser diferente, o Brasil é avaliado frequentemente pelas agências de risco. No entanto, infelizmente, nossa classificação não anda muito boa.

Atualmente, as 3 principais agências de risco avaliam o Brasil em grau especulativo, com notas baixas. Isso vale tanto para investimentos em moeda estrangeira quanto na moeda local. As notas são:

  • S&P: BB- para investimentos em moeda estrangeira ou local;
  • Fitch: BB- para investimentos em moeda estrangeira ou local;
  • Moody’s: Ba2 para investimentos em moeda estrangeira ou local.

A avaliação da Moody’s é um pouquinho melhor que a da S&P e Fitch, mas é também aquela feita há mais tempo (publicada em maio de 2020). As outras foram feitas em maio e junho de 2021.

A Moody’s e a S&P consideram que o Brasil está em uma perspectiva estável, o que é uma avaliação neutra, enquanto a Fitch coloca o país em uma perspectiva negativa, o que afasta investidores e dá sinal de queda da classificação na próxima avaliação.

No geral, a avaliação é negativa para o Brasil, pois coloca o nosso país em grau de investimento especulativo. Existem muitas consequências para isso, como o fato de essa classificação atrair menos capital estrangeiro sólido e estável e mais capital especulativo, o que gera menos estabilidade no nosso mercado financeiro. A Bolsa brasileira, por exemplo, fica mais vulnerável a flutuações do humor do mercado, pois os investidores estrangeiros trazem capital de risco para o país e podem remover o dinheiro a curto prazo.

Indiretamente, causa alguns efeitos tanto na cotação do real em relação ao dólar (menos capital estrangeiro no país significa desvalorização do real) e também na taxa de juros Selic. Isso porque o Banco Central pode aumentar os juros para tornar o investimento no país mais vantajoso.

Como usar o índice de classificação de risco a seu favor?

Agora que você já entende bem como é o rating de classificação de riscos, não só pode como deve começar a usá-lo quando for investir seu dinheiro em um ativo de renda fixa — como CDB, Tesouro Direto, debêntures, LCI ou LCA.

A classificação dada pelas agências diz respeito à saúde financeira da instituição emissora do ativo no qual você pretende investir. Vale a pena, portanto, conferir a situação para garantir a aplicação do seu dinheiro em um título seguro, com baixas chances de default. Isso especialmente se sua aplicação em renda fixa tiver como objetivo a manutenção do seu patrimônio ou a construção de uma aposentadoria mais tranquila no futuro.

A lógica é simples: quanto menor o risco de determinada instituição quebrar ou dar calote, mais protegido está seu dinheiro e mais tranquila é sua vida de investidor!

Pronto para, a partir de agora, sempre pesquisar o rating de classificação de risco das instituições antes de investir? Quer investir em um banco com classificação AAA pelas agências de risco? Então, entre em contato conosco para conhecer os ativos que temos à disposição!

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