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Tesouro Direto: tudo o que você sempre quis saber para investir!

Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 65% dos poupadores ainda insistem em confiar na poupança como forma de investimento. Porém, você sabia que o investimento no Tesouro Direto é uma opção bem melhor?

A verdade é que, quando se trata de orçamento pessoal, ainda são vários os tabus que devem ser quebrados. Para isso, a busca por conhecimento é essencial. Só assim mais pessoas se conscientizarão sobre a importância da educação financeira. Já podemos adiantar: o investimento no Tesouro Direto costuma ser o pontapé inicial de muitos investidores interessados em realizar objetivos tanto de curto como de médio e longo prazos.

Pensando em ajudá-lo nessa caminhada, preparamos aqui um guia completo com informações valiosas a respeito desses títulos públicos. Pronto para se tornar um expert e conhecer as melhores opções do mercado? Acompanhe os próximos tópicos!

Afinal de contas, o que é o Tesouro Direto?

Em uma parceria do Tesouro Nacional com a BM &FBovespa (B3), o programa Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 com o propósito de proporcionar a aquisição de títulos públicos por qualquer pessoa física. É uma forma de democratizar o acesso à renda fixa, permitindo que o pequeno investidor tenha novas perspectivas em relação ao próprio dinheiro.

Antes da implementação do Tesouro Direto, apenas as instituições financeiras aplicavam nesse tipo de ativo financeiro. Tão significativa, tal mudança se propõe a tornar o assunto comum a todos e possibilitar uma outra via de captação de recursos. O estímulo a investimentos de curto, médio e longo prazos torna a educação financeira mais plausível, fazendo com que as pessoas tenham consciência de que é preciso poupar.

Basicamente, o Tesouro Direto é um mecanismo de empréstimo de dinheiro ao governo federal, que tem como objetivo sanar as dívidas públicas da União. Em troca, o investidor recebe valores indexados à taxa básica de juros, à inflação ou a um valor pré-fixado. Em outras palavras, pelo fato de emprestar dinheiro ao governo, você terá de volta seu dinheiro mais os juros decorrentes do período investido.

Quais são as vantagens do investimento no Tesouro Direto?

Embora seja uma forma de investimento já bastante utilizada pelas empresas, as pessoas físicas ainda não conhecem a fundo a importância do investimento no Tesouro Direto para a questão da economia pessoal. Pensando justamente nisso, resolvemos reunir aqui os principais benefícios desse título público que faz tanto sucesso em matéria de renda fixa. Confira!

Facilidade

Uma grande comodidade do investimento no Tesouro Direto é o fato de você ter a liberdade de realizar os seus investimentos diariamente, das 9h30 às 18h. As operações podem ser feitas diretamente na plataforma oficial do Tesouro, com o banco emissor ou corretora de valores de sua preferência.

Além do site, existe também a possibilidade de visualizar essas funções de renda fixa via aplicativo, o que dá a liberdade de se investir a partir de qualquer lugar, desde que o acesso à internet esteja disponível.

Qualquer pessoa que tenha o CPF previamente cadastrado em alguma instituição financeira devidamente habilitada pode aplicar seu dinheiro em títulos públicos. Não é fácil?

Custo

Sabe aquele combo com sanduíche, refrigerante e batata frita das lojas de fast food ou o balde gigantesco de pipoca dos cinemas? Em média, o valor cobrado por essa combinação costuma girar em torno dos 30 reais, certo? Acredite se quiser, é exatamente essa a quantia necessária para começar a investir no Tesouro e dar uma guinada nas suas finanças!

Por demandarem um valor irrisório de aplicação, os títulos públicos se tornam muito mais acessíveis à população, atraindo o interesse das pessoas para, pelo menos, estudarem a possibilidade. O melhor é que você não precisa comprar o valor inteiro do título, podendo optar por apenas uma fração disponibilizada, a fim de acumular em sua carteira algo que não desvie seu planejamento financeiro.

Segurança

Caso você ainda não saiba, esse tipo de módulo da renda fixa é considerado um dos investimentos de menor risco existentes, já que tem a garantia do Tesouro Nacional. Pense bem: a chance de um país quebrar e ficar devendo justamente você é quase nula! Por isso, essa operação se mostra uma saída perfeita para se fazer uma reserva de emergência, planejar a mudança de imóvel, escolher um novo automóvel ou concretizar qualquer que seja seu objetivo.

Depois da operação de compra, o título terá o registro no seu CPF. Sendo assim, independentemente do que vier a acontecer com o banco ou a corretora, o que você investiu consta no Tesouro Nacional a partir da sua documentação e ninguém pode mexer. Tendo isso em vista, não há necessidade de esse título ter o respaldo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que deixa o investidor bem tranquilo.

Prazos

Cada pessoa tem uma meta específica na vida: muitos desejam a independência financeira, boa parte resolve se aprofundar em cursos e tantos outros querem se casar e constituir família, por exemplo. De olho nisso, os títulos públicos disponíveis contam com prazos diferentes de aplicação, que servem também para objetivos distintos. Tudo vai depender do que você pretende fazer com esse dinheiro e, portanto, quanto tempo pode deixar o valor aplicado sem mexer — lembrando que as validades dos títulos vão de 2022 até 2050.

Com relação ao resgate, você terá o sossego de, ao fazer a solicitação em determinada data, ter que esperar apenas 1 dia útil para conseguir a liquidação do título. O dinheiro será transferido diretamente para a conta-corrente cadastrada.

Liquidez

Outra facilidade incrível do investimento no Tesouro Direto diz respeito à liquidez. Isso porque, dependendo do que tem em mente em termos de objetivo, é possível resgatar seu dinheiro antes do prazo estipulado — especialmente na modalidade Selic. Essa possibilidade faz com que você não se torne refém de seus investimentos. Assim, caso surja algum imprevisto, seja ele profissional ou pessoal, você conseguirá usar aquele valor para resolver.

No caso dos demais títulos que não usam a taxa básica de juros como indexador, é preciso esperar até o prazo final para resgatar o montante. Por essas e outras, é muito importante pesquisar a situação que mais combina com seu perfil de investidor. Vale frisar que o Tesouro Nacional dá a garantia de recompra dos títulos antes da data de vencimento, mas de acordo com o valor de mercado atualizado.

Taxas e tributos

Com relação às taxas cobradas, muitos bancos e corretoras costumam não cobrar valores de custódia, o que favorece bastante o interesse dos investidores. No entanto, a BM & FBovespa tem a liberdade de cobrar uma custódia pela reserva do título, que hoje é de 0,25% ao ano e não depende do volume ou do período de aplicação dos recursos financeiros.

Por se tratar de uma movimentação de dinheiro, a tributação clássica inserida na negociação é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incide sobre os resgates realizados antes de 1 mês. Quanto à mordida do leão do Imposto de Renda, o Tesouro conta com um esquema de alíquota regressiva que só é cobrada no vencimento, no recebimento de juros ou na venda antecipada. Nesse caso, os valores são:

  • 22,5% para rendimentos até 180 dias;
  • 20% para rendimentos entre 181 e 360 dias;
  • 17,5% para rendimentos entre 361 e 720 dias;
  • 15% para rendimentos após 720 dias.

Como funciona a rentabilidade dos títulos ofertados?

O ato de emprestar dinheiro traz consigo a exigência do recebimento de um valor maior que aquele do começo da dívida. Para isso, no decorrer do caminho são cobrados juros compostos em cima do montante.

Imaginando que você contrate um título pré-fixado que prometa 2 mil reais no fim do vencimento, por exemplo, entende-se por rentabilidade a diferença existente entre esse valor e o investimento inicial.

O cálculo para descobrir o rendimento é muito simples, sem fórmulas mirabolantes: basta dividir o valor prometido por 1 mais o percentual indexado. Seguindo com nosso exemplo e supondo que a taxa contratada seja de 5% ao ano, chegamos ao valor inicial aplicado de 1.904,76 reais — resultado de [2.000 ÷ (1 + 0.05)].

Em relação à poupança, a rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto dão de 7×1, pois quando a Selic fica igual ou abaixo de 8,5%, a poupança se mantém em um patamar fixo de 70% da taxa básica de juros. Sendo assim, se você investir em qualquer título atualmente terá ganhos acima da caderneta de poupança.

Quais são os tipos de títulos disponíveis para investimento no Tesouro Direto?

Se você tem um dinheiro guardado e quer fazer um investimento no Tesouro Direto, precisa saber que existe todo um leque de opções para se adaptar às suas necessidades. Porém, são basicamente duas grandes categorias que norteiam as operações: os títulos pré-fixados e os pós-fixados. Veja a seguir o que significa cada um deles e quais são suas particularidades:

Pré-fixados

Esse tipo de título da dívida pública conta com uma taxa de juros fixa, o que significa que, do momento da contratação até o vencimento, você terá noção exata de quanto receberá de rendimento. É o tipo de módulo que serve bem para aquelas pessoas que gostam de fazer planejamentos de médio e longo prazos sem se preocupar com o cenário econômico, pois a rentabilidade é fixa.

No site do Tesouro Direto ou via aplicativo, você poderá observar duas formas distintas de investimento em títulos prefixados: com ou sem cupom de juros. De maneira geral, o investimento que dispõe desse cupom dá o direito à pessoa física de receber rendimentos a cada seis meses, o que pode servir para complementar a renda.

Embora não seja ideal, mas considerando que imprevistos acontecem, vale ressaltar que é possível vender esses títulos antes do prazo de vencimento. Nesse caso, no entanto, a rentabilidade corresponderá apenas ao período durante o qual ficou com o papel de dívida. O Tesouro Nacional faz a recompra de acordo com o preço de mercado, o que não dá certeza se você sairá na vantagem ou no prejuízo.

Pós-fixados

Já a respeito dos títulos pós-fixados, os juros compostos aplicados são atrelados a índices econômicos: taxa básica de juros Selic e inflação do período apurado, chamada de Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). Ao contrário dos títulos pré-fixados, nesse caso, não há como estipular com exatidão o valor final dos rendimentos devido às mudanças econômicas recorrentes.

No caso do Tesouro Selic, que costuma ser o favorito de quem começa a investir em renda fixa, o dinheiro dependerá da evolução da taxa básica — que na última ata do Comitê de Política Monetária (COPOM) ficou no patamar de 5,25%. É o tipo de investimento para reservas de emergência, pois a liquidez é diária e você lida com o menor risco dentre as vendas antecipadas.

Já o título atrelado ao IPCA é oferecido com um percentual equivalente à variação da nossa inflação, além de uma pequena taxa prefixada de juros que deixa o investimento sempre acima do índice de preços. O percentual de inflação pode ser acompanhado por meio do relatório Focus do Banco Central, que mede não só o valor atual como prevê o valor dos próximos 3 anos.

Como funciona o simulador do Tesouro Direto?

Por mais que seja tentador já colocar seu dinheiro nos títulos públicos, devemos ressaltar que o planejamento estratégico é primordial para você não tomar decisões precipitadas e fazer escolhas incoerentes com seus objetivos. Exatamente para que as pessoas consigam identificar qual é a melhor opção para a atual situação em que vivem é que o Tesouro Direto disponibiliza um simulador de investimentos gratuito.

A princípio, o site mostra duas alternativas que vão nortear suas decisões para teste, sendo que é possível voltar quantas vezes achar necessário, ok? Uma opção é voltada para quem não faz a mínima ideia de qual título pretende escolher. A outra é destinada para aquelas já conscientes da existência dos pré-fixados e pós-fixados.

Se você seguir o passo a passo voltado para os mais leigos no assunto, a inteligência artificial perguntará seus objetivos de antemão, dando as seguintes alternativas:

  • aposentadoria;
  • casa nova;
  • estudos;
  • carro novo;
  • reserva de emergência;
  • investimento comum.

Depois disso, você escolherá o tempo que pretende deixar o valor aplicado:

  • de 1 a 3 anos;
  • de 3 a 9 anos;
  • mais de 10 anos;
  • ainda não sabe.

Caso escolha um intervalo específico, dependendo do número de anos que deseja deixar o dinheiro investido, o sistema perguntará o que é mais importante na sua vida dentro desse período. A partir das suas respostas, o simulador dará uma sugestão de título de acordo com os anseios revelados.

Adiante, você terá novamente uma bifurcação de opções, só que dessa vez o sistema perguntará quanto você deseja investir hoje ou qual é o valor total que pretende resgatar. Com base na resposta, serão dadas alternativas de aporte único ou mensal, resultando em um relatório didático sobre o valor líquido de resgate, a tributação e as taxas, além de um comparativo com outros investimentos de renda fixa.

Como então escolher o título ideal?

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Todo investimento precisa ser amparado por um propósito de vida. Caso contrário, será apenas um acumulado de dinheiro sem sentido pessoal, muito menos favorável à economia. É fundamental, portanto, desenvolver mecanismos para escolher aquilo que mais convém e que esteja de acordo com suas necessidades. Veja abaixo algumas dicas para entender o que é melhor, dependendo do período!

Curto prazo

Pensando em algo mais imediatista, uma solução bastante recomendada é o Tesouro Selic, pois serve para situações em que você pode precisar de uma reserva de emergência. É essencial em casos de instabilidade profissional, eventualidades na família, cuidados com a saúde, entre outros aspectos que acabam demandando um montante com liquidez diária.

Médio prazo

Ao se deparar com objetivos de médio prazo, tais como uma reforma na casa, a troca de um carro, um casamento ou uma viagem para outro país, o melhor é pensar em títulos públicos que tenham uma rentabilidade contundente para o período. O Tesouro IPCA e o Tesouro Prefixado são bons exemplos de investimentos que podem facilitar o cumprimento dessas metas.

Longo prazo

Já no caso de sonhos mais remotos, que levem 5 anos, no mínimo, e que exijam de você um planejamento estratégico detalhado para a realização, vale considerar os investimentos com juros semestrais: tanto o Tesouro IPCA quanto o Tesouro Prefixado. Esse tipo de operação facilita a organização do orçamento. Espera conseguir pagar a faculdade de um familiar, comprar um imóvel ou garantir uma aposentadoria razoável? Então, pense em seguir esse caminho.

Que caminho seguir para investir no Tesouro Direto?

Agora que você já entende um pouco mais sobre o tema e conhece a importância de investir com consciência em algo do tipo, chegou o momento de aprender o que precisa fazer para efetivamente aplicar seu dinheiro. Acompanhe o passo a passo que preparamos:

1ª etapa

Antes de mais nada, você deve escolher a instituição financeira que servirá de porta de entrada para os títulos públicos. Analise as taxas cobradas e as possibilidades de outros investimentos no futuro. Decisão tomada, cadastre-se! Essa parte é muito simples e todo o procedimento pode ser realizado de forma online no mesmo dia, tudo bem intuitivo para que você não se perca.

Ao preencher todas as informações solicitadas, você receberá uma senha específica para acessar o portal do Tesouro Direto, seja pelo site ou pelo aplicativo. Se sua corretora ou banco emissor for um agente integrado, existe também a possibilidade de você operar os títulos diretamente dos domínios da empresa contratada, o que pode facilitar sua vida na hora de investir.

2ª etapa

Depois de escolhida a instituição e feito o cadastro, você já pode transferir o dinheiro da sua conta-corrente para a empresa, facilitando o investimento nos títulos, uma vez que a compra será debitada desse valor disponibilizado. Para não ter que lidar com surpresas em relação às transferências, é importante avaliar bem a empresa a que pretende confiar seus recursos financeiros.

Depois de receber a senha de acesso, entre no sistema do Tesouro, clique na aba Investir e Resgatar, coloque o nome da instituição contratada e avalie friamente o menu de opções de títulos. Você não precisa necessariamente comprar o valor inteiro. Se desejar, pode comprar apenas uma fração do papel para colocar em sua carteira de investimentos, sempre respeitando o valor mínimo estipulado.

3ª etapa

Título escolhido de acordo com suas metas de vida? Agora você pode acompanhar os rendimentos diariamente pelo portal do Tesouro Direto ou pelo próprio sistema do banco ou da corretora. Lembrando que a valorização do papel se dá pelo formato de juros compostos. Como o rendimento vai depender da quantia disponibilizada, pense em valores que deem um bom retorno no futuro, combinado?

Sempre que efetuar uma compra, você receberá um informativo com o protocolo da ação por e-mail, a fim de estabelecer um controle do fluxo de investimentos. Mensalmente, é disponibilizado um extrato da B3 junto ao Tesouro para informar os investidores sobre as operações ocorridas no período, detalhando valores aplicados, taxas e tributação.

Como funciona a central de atendimento do Tesouro Direto?

Por mais que você esteja apto a investir e tenha um conhecimento até razoável sobre o assunto, sempre fica uma dúvida ou outra que pode fazer com que seu planejamento não caminhe no rumo certo, não é mesmo? Para ajudar nesse quesito, a central de atendimento do Tesouro Direto dá todo o suporte para os investidores, oferecendo esclarecimentos bem didáticos.

Esqueceu sua senha, quer agendar aportes mensais, está interessado em conhecer mais a fundo as funcionalidades do aplicativo ou não consegue identificar o período de liquidação da operação em sua conta? Para sanar essas e tantas outras dúvidas, leia as explicações disponíveis no site. Nada de deixar questionamentos em aberto, ok?! Entenda que, para investir com qualidade, é necessário estudar bastante sobre o assunto. Afinal de contas, é seu dinheiro que está em jogo.

Por fim, é importante ressaltar que o login no sistema do Tesouro Direto se dá pelo preenchimento do seu CPF junto à senha disponibilizada. Também é possível acessar o aplicativo por meio de leitura biométrica, caso seu dispositivo móvel conte com essa tecnologia.

Ainda vale a pena fazer investimento no Tesouro Direto?

Quem tem acompanhado as notícias e podcasts sobre o mercado de investimentos no Brasil deve ter ficado com a impressão de que a Renda Fixa morreu, levando o investimento no Tesouro Direto com ela.

Entre os muitos fatores que contribuem para isso está a queda da taxa Selic, que chegou ao seu valor mínimo histórico de 2% ao ano, ficando inclusive abaixo da inflação no período — o que, na prática, significa juros reais negativos.

Some essa percepção ao aumento significativo de brasileiros na Bolsa de Valores (eram 1 milhão em maio de 2019 e 3 milhões em outubro de 2020, um crescimento de 200% em menos de 18 meses) e dá para entender por que muita gente está receosa de aplicar em Renda Fixa em 2021.

Afinal, ainda vale a pena fazer investimento no Tesouro Direto em 2021? Ou o ideal é realmente procurar pela Renda Variável? Vejamos a seguir alguns pontos sobre essa questão!

Desempenho do Tesouro Direto em 2020

A principal percepção de um provável “fracasso” do investimento no Tesouro Direto em 2020 tem conexão quase que direta com a redução significativa da taxa Selic nos últimos tempos.

O ano de 2017 começou com a Selic na base de 14% ao ano — e terminou com ela em 7,50%. Em 2018 e 2019, manteve uma estabilidade na faixa dos 6,50% até a sequência de quedas que levou a taxa básica de juros para 2% ao ano.

Como o Tesouro Selic (pós-fixado atrelado à taxa de mesmo nome) é um dos principais produtos do Tesouro Direto, de fato deu margem para a ideia de que os títulos públicos nacionais não renderiam nada em 2020. A realidade, no entanto, foi diferente.

Segundo dados do portal Tesouro Transparente, o investimento no Tesouro Direto não teve um desempenho ruim no agregado anual de 2020. No acumulado do ano (ou seja, considerando a compra no primeiro dia do ano e preço de venda no último dia), o Tesouro Prefixado 2023 se destacou com rentabilidade de 8,52%.

Quem também teve um desempenho bem acima da média foi o Tesouro IPCA+ 2045 e Tesouro IPCA+ 2035. O primeiro fechou a variação do ano em 4,51%, com o segundo se valorizando em 5,93%. No entanto, eles tiveram uma aceleração de crescimento em dezembro.

A valorização no último mês do ano chegou a 13,96% e 8,71% respectivamente graças ao rápido crescimento da inflação no mercado nacional (todos os dados podem ser conferidos no link acima). Isso mostra que, na prática, o desempenho do Tesouro Direto em 2020 foi longe de ser uma catástrofe (sim, é verdade que o Tesouro Selic se valorizou apenas 2,20% no ano). Além disso, demonstra que os títulos públicos são versáteis na composição de uma carteira de investimentos.

Versatilidade do Tesouro Direto

O investimento no Tesouro Direto é uma aplicação versátil, que pode estar na carteira de investidores de todos os perfis e cumprindo diversas funções diferentes. Afinal, existem vários títulos distintos.

Existe o Tesouro Prefixado, focado em uma taxa de juros específica para sempre. Ele é útil em momentos em que os juros estão altos, mas com sinais de queda, pois é possível manter a alta lucratividade por mais tempo.

Existe o Tesouro IPCA, que é atrelado à inflação. É um tipo de título muito importante para quem quer conservar valor no longo tempo, pois gera proteção automática contra a desvalorização do poder de compra da moeda no mercado interno.

Existe o investimento no Tesouro Selic, cujo rendimento é pós-fixado na taxa básica de juros da economia e provê uma rentabilidade de acordo com o principal benchmark financeiro do país. A longo prazo, por exemplo, a Selic tende a ter resultados satisfatórios e o mais próximo possível de garantidos. Entre 2008 e 2019, por exemplo, ela rendeu mais de 212%.

Esse é um dos motivos que torna o Tesouro Direto ainda atraente em 2021, mesmo com a Selic como está. Afinal, a inflação segue em alta e há um título atrelado à ela. Além disso, mesmo variações de curto prazo não impactam o rendimento de longo prazo.

Perspectiva do Tesouro Direto para os próximos meses

Com tudo isso visto, chegamos às perspectivas do investimento no Tesouro Direto no segundo semestre de 2021 e nos próximos meses. Será que ainda vale a pena aplicar seu dinheiro nessa modalidade? Basta ver alguns números para entender um pouco da situação.

Em primeiro lugar, a Selic já voltou a crescer nos últimos encontros do COPOM. A taxa que começou 2021 em 2% ao ano já se encontra no patamar de 5,25%, um crescimento de 262,5%. Além disso, a tendência é de alta, com sinais de possíveis aumentos nas próximas reuniões.

Em segundo lugar, a inflação continua em alta no país. No momento de publicação deste conteúdo, o IPCA acumulado dos últimos 12 meses é de 8,99% e a projeção do mercado é que o índice termine 2021 em 7,58%, com um valor alto também em 2022 Isso valoriza o Tesouro IPCA+, que é atrelado à flutuação desse indexador e serve como reserva de proteção de valor do poder de compra da moeda. Em um momento instável, é um bom título para ter na carteira para proteger seu dinheiro. Além disso, todas as indicações são de um aumento na Selic no futuro próximo, o que também valoriza o Tesouro Selic.

No acumulado do ano, até o momento, o Ibovespa tem desempenho negativo, o que torna a aplicação em Renda Fixa ainda mais interessante, com o Tesouro Direto fazendo papel de reserva de confiança em uma carteira.

Algumas estratégias interessantes para usar os títulos incluem:

  • reserva de emergência atrelada ao IPCA;
  • investimento de longo prazo para aposentadoria;
  • reserva de segurança em Renda Fixa.

Lembre-se de que uma carteira de investimentos bem balanceada é aquela que contrapõem riscos não-sistêmicos. Ou seja: mesmo alguém que investe pesadamente em ações na Bolsa de Valores precisa, por exemplo, de uma proteção que tenha rentabilidade de correlação negativa (inversa) com o Ibovespa ou com o mercado de Renda Variável no geral (o investimento no Tesouro Direto faz esse papel).

Pronto! Agora que já entendemos por completo a ampla abordagem do investimento no Tesouro Direto, podemos trabalhar melhor com os títulos públicos do Tesouro Nacional em vários contextos diferentes. Sua versatilidade e acessibilidade o transformam em uma opção de aplicação muito interessante para investidores de todos os perfis e faixas de renda.

Para fechar com chave de ouro, que tal aproveitar para conhecer o projeto ABC Personal, que em breve terá disponível em sua plataforma justamente a possibilidade de investimento no Tesouro Direto? Vamos lá!

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